Polícia

Passarela já teve estupros em série

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

A jovem de 26 anos estuprada e ferida a golpes de tesoura na madrugada de anteontem em Bauru, na passarela sobre a rodovia Marechal Rondon, na altura da quadra 25 da avenida Duque de Caxias, continuava internada, em estado regular, até o fechamento desta edição. O autor do crime ainda não havia sido identificado. A moça não é a primeira vítima de violência sexual no local, cuja iluminação é precária. Há cerca de dez anos, ocorreu uma seqüência de estupros na mesma passagem.

Titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Rejani Borro Tiritan lembra que as investigações, na época, apuraram que os estupros foram cometidos por menores. Porém, desde que está à frente da delegacia, há cerca de sete anos, nenhum crime da mesma natureza foi registrado nas imediações da passarela.

Tiritan levou as fotos dos infratores à moça estuprada anteontem, mas ela não reconheceu nenhum deles como seu agressor. Segundo a delegada, este último caso foi um dos mais violentos já registrado pela DDM em Bauru. Ela adiantou que há suspeitos do crime, mas não forneceu detalhes para não atrapalhar as investigações.

A vítima, que é cozinheira em um restaurante de Bauru, foi abordada pelo estuprador quando atravessava a passarela, por volta das 3h, ao retornar para casa depois da noite de trabalho. Ela passava regularmente pelo local de madrugada, fazendo o caminho de volta à residência.

O autor do crime seguia atrás da moça e a surpreendeu pelas costas. Ela foi arrastada para o matagal nas proximidades da passarela, onde foi estuprada e gravemente agredida. A tesoura utilizada no crime não havia sido apreendida até o fechamento desta edição.

“Ela disse que estava passando por lá, percebeu que alguém seguia atrás dela na passarela. Mas como costumeiramente passam pessoas por ali, ela disse que não esperava (ser rendida)”, diz a delegada.

A jovem, segundo Tiritan, recebeu golpes por várias partes do corpo, especialmente no tórax. Um deles perfurou o pulmão da vítima. Ontem, ela saiu da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Estava consciente e concedeu depoimento à delegada, que conduz as investigações sobre o caso.

O local onde ocorreu o estupro tem iluminação precária. A delegada recomenda que as mulheres evitem passar no período noturno pelo trecho, que liga o Jardim Brasil ao Jardim Marambá. “O local é ermo e favorece bastante (esse tipo de ocorrência)”, diz.

Ela lembra que a cerca de uma quadra da passarela está o viaduto da Duque de Caxias, que é um trecho bem iluminado e que apresenta melhores condições de segurança.

Cerca de uma hora antes do estupro, a Polícia Militar havia recebido a ligação de outra moça alegando ter escapado de um homem que estaria tentando agarrá-la próximo ao local onde foi registrado o crime. Entretanto, Tiritan disse que a DDM não recebeu nenhuma comunicação da jovem e por isso essa informação não está sendo considerada nas investigações.

Medo

Depois do estupro registrado no final de semana, a estudante de enfermagem Michele Cristine Torres, 25 anos, demonstrava receio em utilizar a passarela sobre a rodovia Marechal Rondon.

A estudante é vizinha da vítima violentada anteontem. “Eu fiquei sabendo hoje (ontem) que ela está na UTI. E fiquei em pânico. Não sei mais o que fazer para passar por aqui à noite depois da aula”, relata a estudante, afirmando que outras alunas da universidade utilizam a passarela após as aulas do período noturno.

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