Regional

Apesar de encontro, dúvidas sobre Suas ainda persistem

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

O 1.º Encontro Regional sobre o Sistema Único da Assistência Social (Suas) não agradou a maioria dos participantes. Elaborado inicialmente para sanar dúvidas sobre a implantação do sistema em todos os municípios, o evento não conseguiu cumprir seu papel.

“Estou saindo daqui com mais dúvidas do que quando cheguei”, declarou a secretária de Assistência Social, Ângela Queiroz, de Paraguaçu Paulista. O encontro foi realizado ontem à tarde, no auditório da Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (ITE) em Bauru. O local recebeu grande público, majoritariamente formado por profissionais da assistência social.

Assim que o evento foi encerrado, o JC conversou com alguns participantes e todos disseram que ainda não haviam compreendido muito bem o novo sistema, mas que na teoria parece ser realmente um avanço nesse setor.

O Suas tem como principal objetivo integrar os vários programas assistenciais vigentes, simplificando o controle. “Hoje (ontem), eu achei que iria tirar minhas dúvidas, mas infelizmente depois de viajar uma hora e meia (o encontro) não acrescentou nada”, protestou Ângela. A saída, segundo ela, será pesquisar no site do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que iniciou a implantação do programa em todos os municípios brasileiros no ano passado.

Assim como os demais participantes do encontro, Ângela também acredita que na sua essência o programa é bom e tem tudo para dar certo. “Na teoria parece que é bom. Falta ver se funciona na prática”, ponderou a psicóloga Rosemeire Donega, de Avaí, que estava acompanhando a assistente social do município, Valdeci Silveira Costa.

Na avaliação da psicóloga, o novo sistema deverá agilizar o repasse de verba para os programas executados em parceria com o governo federal. Essa agilidade é proporcionada pelo Suas Web, que utiliza a internet como meio de comunicação entre prefeitura e governo.

A assistente social de Boracéia Vânia Carlini também acredita que a implantação do Suas vai melhorar o controle dos municípios sobre os programas sociais, mas ela ainda não sabe muito bem o que deve mudar. “Ainda está tudo muito confuso”, comentou. “Acredito que, com o tempo, as coisas vão ficar mais claras”, aposta ela.

Além de agilizar o repasse de informações e de verbas e de aumentar o controle sobre os programas, a assistente social de Santa Cruz do Rio Pardo, Michele Zacheo, apontou ainda outra vantagem do novo sistema. “Ele vai facilitar na distinção do que é de competência da assistência social e o que compete às outras áreas, como saúde e educação”, exemplificou.

A mesma vantagem é apontada também pela assistente social de Getulina Edinedi Costa Cavalcanti. Na opinião dela, o Suas depois de efetivamente implantado deverá tornar o serviço mais transparente. Ela contou que o sistema ainda não está funcionando em Getulina, mas acredita que “tem tudo para dar certo”.

Na opinião da diretora de benefícios assistenciais, Ana Lígia Gomes, que esteve representando o governo federal ontem durante o encontro, as dúvidas dos participantes são normais. “Nós estamos começando a regular o sistema. Então, as pessoas vão começar a ter acesso aos poucos às informações”.

Ela contou que existem planos para disponibilizar no site do ministério um serviço para tirar dúvidas sobre o sistema. “Será uma espécie de as dez mais”, brincou ela, citando as dúvidas mais freqüentes.

“(O Suas) é um processo em construção, sem aquela idéia de tutela. As pessoas têm o direito de perguntar, discutir, achar, deixar de achar”, disse Ana Lígia. “Além das perguntas, nós precisamos também da contribuição dos municípios. Eles sabem melhor sobre os problemas do que nós (governo).”

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O que é

O Sistema Único da Assistência Social (Suas) tem o objetivo de identificar os problemas sociais na ponta do processo, focando as necessidades de cada município, ampliando a eficiência dos recursos financeiros e da cobertura social. O governo federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, ganha espaço para definir políticas e fiscalizar sua execução. Segundo o governo, trata-se de um modelo democrático, descentralizado, que tem a missão de ampliar a rede de assistência social brasileira.

Dez anos após a promulgação da Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), o governo conseguiu avançar muito pouco no setor, dentro da atribuição que lhe compete como definidor de diretrizes para o setor. A construção do Suas interrompe o modelo de programas impostos de cima para baixo, que desconsideram necessidades reais e especificidades locais.

Da Redação

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