A vida sem objetivo é triste, incolor e nos leva a um estado de empobrecimento e inutilidade. São sensações como estas que incomodam as pessoas e as levam a viver momentos de frustração e, em alguns casos, à depressão. Olhar para frente e não enxergar o horizonte claramente é arrasador, em virtude da descrença que se instala dentro de quem experimenta a falta de perspectiva. A visão sobre o futuro é capaz de nos alimentar quando nela encontramos um objetivo a ser atingido. Já, ao contrário, nos rouba as reservas de energia psicológica, e ainda o nosso maior combustível: a vontade. Compreendemos, então, que a motivação tem como componente essencial um ou mais objetivos, que nos impulsiona a caminhar na sua direção.
Li uma empolgante descrição de um ex-detento, que ilustra bem a questão. Ele havia descoberto a sua grande paixão: a música. Contou que dois monitores lhe ensinaram a tocar violão. Ou, em suas palavras: “Mais do que isso: me ensinaram a ter um objetivo na vida”. Ao sair da Febem, só pensava em duas coisas: estudar música e retribuir o que fizeram por ele. Neste caso, especialmente, aquilo que é desmotivador com o aprisionamento transforma-se em algo libertador a partir de um objetivo estabelecido. Da falta de perspectiva, a situação passou a pleno desejo com vistas ao que o futuro poderia oferecer. Para a sorte desse preso, a ajuda alheia estava por perto e estendeu-lhe a mão, levando-o a aprender uma atividade que lhe fez nascer novamente, quando se descobriu apaixonado por algo que ainda não o havia tocado intimamente. A música tornou-se a sua razão de viver.
Em boa parte dos casos, as pessoas não encontram os seus objetivos de vida, e isto contribui para uma acomodação. Embora a tristeza tente provocar algum tipo de reação, crê-se que este destino é imutável. Com o tempo, as forças tendem a diminuir até que o hábito faz moradia permanente. Ainda que raro se acredite na possibilidade de virar a mesa e transformar a vida digna de grandes motivações, deve-se tentar e lutar com as forças disponíveis e com aquelas que ainda nem foram descobertas - pouco se sabe sobre o potencial humano. Com pesar inicial, sofreguidão e até falta de coragem, deve-se romper as grades invisíveis da descrença e buscar os motivos a serem perseguidos. Na frase do memorável ex-presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, lê-se claramente: “O conformismo é carcereiro da liberdade e inimigo do crescimento”.
A escuridão desmotivadora é dissipada pela luz que os objetivos trazem a tiracolo. Descobre-se que a vida é maior e, sobretudo, melhor. Todavia, o preço é o esforço empregado para se encontrar um objetivo. É preciso se dedicar a esta busca com empenho e persistência. Você já descobriu o seu objetivo de vida?
O autor, Armando Corrêa de Siqueira Neto, é psicólogo, consultor, conferencista e escritor