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Sob suspeita de Chagas, seis coletam sangue para exame

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Três moradores de Bauru e dois de Ourinhos que tomaram caldo de cana no litoral de Santa Catarina de 1 de fevereiro ao último dia 20 estão agendados para comparecerem ao Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo entre hoje e amanhã para consulta e coleta de sangue para exame de mal de Chagas. Outra bauruense já aguarda resultado de teste. Apesar de apenas um deles apresentar um dos três sintomas do mal de Chagas na fase aguda - febre, dor de cabeça ou dor muscular -, há risco de terem sido contaminados com o protozoário Trypanosoma cruzi, o causador da doença.

Vinte e seis pessoas que ingeriram caldo de cana em quiosques às margens da rodovia BR-101 entre os municípios de Piçarras e Itajaí apresentaram os sintomas da moléstia. Cinco delas morreram. De acordo com a assessoria de imprensa do HE, os três moradores de Bauru e os dois de Ourinhos serão consultados por médico infectologista e terão sangue coletado para exame, que será feito pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

O HE é referência regional para atender pessoas sob suspeita da doença. Um dos três bauruenses nesta situação é a dona de casa Cleusa Aparecida Hosni de Freitas, que passou o Carnaval em Santa Catarina, onde tomou caldo de cana em vários quiosques. “Há três semanas estou com vômitos e dor de cabeça. Fui ao médico três vezes e ele disse que era enxaqueca. Mas quando a imprensa começou a divulgar que várias pessoas tinham sido contaminadas com a doença de Chagas, através do caldo de cana de lá, fiquei apavorada. Mas depois que minha irmã e meu cunhado, que beberam mais caldo do que eu, fizeram o exame e deu negativo, fiquei mais tranqüila”, conta.

Já sentindo-se melhor, para tirar a dúvida, ela afirma que hoje pela manhã estará no HE para coletar sangue. “Eu nunca tive vômito, dor de cabeça e moleza deste jeito. Quero saber o que é”, ressalta. Também está agendado para ser atendido no HE hoje o filho de Cleusa, que igualmente tomou caldo de cana no litoral catarinense no Carnaval. Já a namorada do rapaz, a estudante bauruense Erika Albano Nunes, que o acompanhou na viagem, já fez o exame através de convênio médico.

“Estou esperando o resultado, que deve sair na sexta-feira, mas estou tranqüila porque três pessoas que estavam na viagem comigo fizeram o exame e deu negativo”, comenta. Ela lembra que, assim como seu namorado e a família dele, tomou caldo de cana nos municípios de Piçarras, Barra Velha, Brusque e Florianópolis. “Viajamos de carro e fomos parando nos quiosques. Como estava calor, tomamos caldo de cana”, relata.

Mais de um mês após a viagem, ela foi alertada por sua mãe sobre a possibilidade de ter contraído a doença. “Foi aí que liguei para a mãe do meu namorado, que estava com vômito e dor de cabeça, e a acompanhei ao médico. Mas apesar da nossa insistência, ele não pediu o exame de sangue para esclarecer de vez o que ela tem”, critica.

O médico infectologista Fernando Casquel Monti, do HE, defende a investigação através de avaliação do perfil de risco e de exame de sangue, mas não acredita que os três bauruenses e dois ourinhenses tenham adquirido mal de Chagas. “Foi um problema localizado. Não são todas as pessoas que tomaram caldo de cana que contraíram a doença”, frisa.

Se o exame confirmar o mal de Chagas, o HE vai acompanhar o tratamento de paciente à base de ingestão de comprimidos, que poderá ser feito na unidade básica de saúde. Porém, Monti lembra que não há tratamento para os pacientes que já estiverem na fase crônica da doença, quando já surgirem as doenças do miocárdio.

Apesar de o Estado de São Paulo não registrar caso de mal de Chagas desde o início da década de 70, segundo a Secretaria do Estado da Saúde, o Hemonúcleo de Bauru sempre investigou os doadores de sangue sobre a possibilidade de serem portadores da doença. O objetivo é evitar a transmissão da doença através de transfusão sanguínea, diz a médica hemoterapeuta Cláudia Assato.

“Durante a triagem, o doador é questionado se esteve em regiões do País onde a doença é endêmica, como Minas Gerais, Paraná e agora Santa Catarina”, conta. Depois de coletado, o sangue passa por uma bateria de exames que, entre eles, verifica a presença do protozoário causador do mal de Chagas.

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Telefone 0800 atende quem tomou caldo de cana em SC

O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, órgão da Secretaria de Estado da Saúde, colocou o telefone 0800-555466 à disposição de pessoas que estiveram entre 1 de fevereiro e 20 de março nos municípios de Navegantes, Itajaí, Penha, Piçarras, Barra Velha, Araquari, Joinville, Balneário Barra do Sul, Garuva, Itapema, Camboriú, Balneário Camboriú, São Francisco do Sul e Itapoá, todos em Santa Catarina, e tomaram caldo de cana.

O serviço telefônico, que funciona 24 horas por dia, está à disposição para atender, tirar dúvidas e, se necessário, encaminhar para tratamento pessoas que reúnam estas características. A medida é uma prevenção contra possíveis casos de doença de Chagas, que têm aparecido em Santa Catarina nos últimos dias.

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