Uma pesquisa do Ibope apontou que 9% dos eleitores afirmaram ter recebido oferta de dinheiro ou de algum bem material em troca de voto nas eleições municipais de 2004. A situação ocorreu com mais intensidade na região Sul (12%) e Nordeste (11%). Foram entrevistados 2.002 eleitores das cinco regiões do Brasil.
O Sudeste foi a região menos afetada por essa prática. Apenas 5% dos entrevistados alegaram ter recebido algum tipo de oferta. Nos municípios da região de Bauru, as denúncias de compra de voto se proliferaram na última eleição. Uma delas resultou na cassação do prefeito eleito de Barra Bonita, Dimas de Sales Paiva (PSDB). Muitas outras continuam em tramitação na Justiça Eleitoral, sendo que uma parte foi arquivada por falta de provas.
Paiva teve a diplomação cassada depois que o juiz José Cláudio Domingues Moreira, da Comarca de Barra Bonita, aceitou denúncia de que eleitores teriam recebido dinheiro para votar no candidato tucano.
O prefeito de Arealva, Paulo Padanosque (PSDB), também chegou a ter seu registro cassado pela Justiça, mas conseguiu uma liminar que lhe garantiu tomar posse no dia 1 de janeiro. Em fevereiro, nova vitória no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), em São Paulo, assegurou sua permanência no cargo até que a denúncia seja analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. Ele é acusado de ter fornecido prótese dentária a uma eleitora em troca do voto.
Prefeitos eleitos de Reginópolis, Jaú, Gália, Macatuba e de várias outras cidades da região também enfrentam as mesmas acusações. A maior parte dos processos em tramitação no TRE.
Em Reginópolis, o prefeito Cláudio Undiciati (PSDB) responde a dois processos, segundo informou o Cartório Eleitoral de Pirajuí. Um deles ainda continua esperando decisão do juiz local, o outro estaria em Brasília, aguardando pronunciamento do TSE.
De acordo com a acusação, Undiciati teria distribuído cerca de 150 cestas básicas para a população carente do município nos fins de semana que antecederam a eleição. A outra denúncia acusa o prefeito eleito de abuso do poder econômico e captação de votos. A ação foi julgada improcedente em primeira e segunda instâncias.
Em Jaú, o prefeito reeleito João Sanzovo Neto (PSDB) foi acusado de captação de votos por meio de distribuição de brindes e uso de um programa federal de erradicação do trabalho infantil para o mesmo fim. A ação foi julgada improcedente em Jaú e agora aguarda decisão do TRE. Também existem processos em tramitação contra o prefeito de Bocaina e um vereador de Itapuí.
Em Gália, Ermano Piovesan (PSDB), prefeito reeleito, enfrenta ação na Justiça Eleitoral por suposta distribuição de cestas básicas, medicamentos e adoçantes para diabéticos pouco antes da eleição. A ação encontra-se no TRE.
Em Macatuba, a denúncia de compra de voto contra o prefeito eleito Coolidge Hercos Júnior (PMDB) foi julgada improcedente pela Justiça local.