Tribuna do Leitor

Você já foi filmado pelas lentes do Grande Irmão?


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Nesta terça, dia 29 de março, encerrou-se mais um ciclo do espetáculo “homológico” Big Brother Brasil, exibido pela Rede Globo de Televisão. Homológico porque, assim como um zoológico, 14 seres humanos são confinados numa clausura eletrônica, num aquário de pessoas para um programa de televisão, para o deleite de uma catártica população que vibra, chora, se enraivece e torce para apenas um abocanhar o R$ 1 milhão ao final do show.

A teoria do “Grande Irmão” foi discutida no livro “1984”, de George Orwell, que, numa visão profética, descreveu uma Londres onde a sociedade teria se rendido aos poderes de um partido ditador, que implantou um regime totalitário, em que câmeras espalhadas por toda cidade, inclusive dentro das empresas, casas e apartamentos, vigiam 24 horas por dia cada passo, suspiro, bocejo ou resmungo dos cidadãos londrinos, numa ação inibidora e cerceadora da liberdade da população.

Nessa Londres vigiada de George Orwell, jornais, revistas e jornais eram diariamente reescritos e falsificados para irem ao encontro com as idéias do partido. Quem se levantasse contra algum ideal partidário, estaria cometendo a “crimidéia” – crime contra a idéia. Os infratores eram simplesmente apagados e jogados no buraco da memória, caindo completamente no esquecimento, como se nunca tivessem existido.

Inspirado na opressão dos regimes totalitários das décadas de 30 e 40, o livro não se resume a apenas criticar a opressão, mas toda a nivelação da sociedade, a redução do indivíduo em peça para servir ao estado ou ao mercado através do controle total, incluindo o pensamento. Tudo é forjado e criado, assim como a atração da Rede Globo.

Os confinados, assim como os londrinos de “1984”, entram numa paranóia lúdica de que a realidade não vai além dos limites dos cenários do Projac. A Rede Globo faz de seu show uma manipulação a olhos vistos do que ela já provoca na população brasileira há 40 anos. A emissora vem controlando a vida das pessoas desde a sua criação, formando opiniões, criando modismos, elegendo e derrubando presidentes. É uma manipulação indireta. O que o programa faz é manipular de forma direta os 14 brasileiros, cada um com sua característica enraizada de alguma parte do Brasil.

Em toda edição, entram em nossas casas pessoas de diferentes credos, raças, posições sociais e de diferentes orientações sexuais, como se pudéssemos nos identificar com cada “brother” e como se fosse nós que estivéssemos lá.

É da natureza humana transferir problemas e angustias pessoais para personagens de televisão. Essa catarse social nos coloca numa posição passiva ante o programa, e assim é a sociedade manipuladora que hoje vivemos. Quer ação mais coercitiva do que as propagandas do governo, que nos mostra um lindo Brasil e por outro lado, coloca embaixo dos tapetes do presidente Lula, toda a problemática vivida pela população.

O “Big Brother” tolhe a liberdade humana de tal maneira que não enxergamos nada além do que o as câmeras do grande irmão permite. Assim é o nosso governo, assim é a formula imperialista de Bush governar e assim é a vida, sempre sendo controlada por vigias eletrônicos por toda a parte. Ah, e não se esqueça, sorria sempre, pois você está sendo filmado.

Ps.: Catártica e solidária foi como a população bauruense reagiu nesta terça, dia 29 de março, quando um grande incêndio consumiu os depósitos do Supermercado Confiança Max. Parabéns ao povo de Bauru pela demonstração de ajuda comunitária para com essa empresa que é referencia para a cidade, projetando o nome de Bauru para todo o Brasil. Temos certeza que o sr. Jad Zogheib dará a volta por cima.

Thiago Brandão

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