Cultura

'A Mandrágora'

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

O Grupo Tapa encena amanhã e sábado, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves, em Bauru, a peça “A Mandrágora”, de Nicolau Maquiavel. A nova montagem do espetáculo, que já havia sido apresentado pela companhia em 1988, faz parte do projeto Tapa 25 anos, em comemoração ao aniversário do grupo.

Escrita em 1503 pelo mestre da ciência política, “A Mandrágora” é considerada um marco no teatro ocidental. Aborda o amor e as tentativas de Calímaco para conquistar Lucrécia, a mulher mais bonita da Itália, porém casada.

A história de amor, na verdade, serve como pretexto para falar sobre estratégia política, sobre a arte de convencer, envolver e manipular para alcançar um objetivo. “Ele faz uma peça sobre a conquista de uma mulher como metáfora da conquista pelo poder. Se a sociedade é corrupta, a alternativa que ele vê é agir com seu próprio veneno, ou seja, a corrupção. O texto é muito atual, haja vista o Brasil de hoje”, expõe Eduardo Tolentino, diretor do espetáculo, em entrevista ao JC Cultura.

O grupo retorna ao humor do texto de Maquiavel dando-lhe nova roupagem. “Naquele momento (em 1988), a gente tinha a idéia de que tudo mudaria mas, passados mais de 15 anos, vemos que somos um País mais violento, mais vulgar, com abuso da sexualidade pela mídia e miséria escancarada. Por isso, a peça agora é mais cáustica e mais cruel do que a de 88”, explica o diretor.

Outra diferença em relação à primeira montagem é que o erotismo é mais trabalhado em cena, desta vez. “É uma questão de desejo. Ele deseja e não pára diante de nada para conseguir o que quer. Essa mensagem aflora mais nesta montagem, até porque estamos numa sociedade mais livre”, destaca Tolentino.

Irreverente e cheia de humor, “A Mandrágora” já esteve em cartaz na Capital e passou também por cidades como Caraguatatuba, Belo Horizonte (MG), Uberlândia (MG) e Araxá (MG). Depois da apresentação de Bauru, o grupo volta a encenar a peça em São Paulo.

O espetáculo viajou com o Grupo Tapa também através da Caravana Funarte, da Fundação Nacional de Arte. Tolentino ressalta que falta verba para o teatro no Brasil e que a viabilização de novos projetos de grupos como o Tapa esbarram na escassez de recursos.

“A Caravana Funarte é um projeto válido, importante, mas que com uma boa avaliação crítica poderia melhorar bastante. Pelo menos, já temos um primeiro passo”, avalia.

Em 25 anos de trabalho, o Grupo Tapa já recebeu 79 prêmios. Ao ator Guilherme Sant’Anna foi premiado pela Associação Paulista dos Críticos da Arte (APCA) por sua atuação em “A Mandrágora”. Atuam com ele na peça Igor Zuvela, Paulo Marcos, Rodrigo Lombardi, Samantha Caracante, Sergio Mastropasqua e Vera Mancini.

• Serviço

O espetáculo “A Mandrágora” será apresentado amanhã e sábado, às 21h e às 20h, respectivamente, no Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves. Os ingressos custam R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada). O endereço é avenida Nações Unidas, 8-9, no Centro. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3235-1072.

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