Mesmo o mais fóbico dos viajantes vai se sentir protegido ao embarcar para Portugal, por conta da hospitalidade, da língua e familiaridade entre lusitanos e brasileiros.
A sensação de aconchego começa no próprio saguão do aeroporto, muito antes do portão abrir e o corredor conduzir à aeronave da TAP que, de uma vez só, levará mais de 400 passageiros à terrinha.
Antes do vôo ser anunciado, parece que todo mundo é amigo. A alegria é sempre contagiante diante da expectativa de se voltar onde se conhece. Ou por viagens antes feitas ou pelos livros de história. Como muitos portugueses mantêm casas aqui e lá, incluindo bauruenses, é fácil a gente ir se adaptando aos modos e costumes.
Dez a 11 horas de vôo separam as duas irmãs. A velha e a nova senhora. Tempo mais que suficiente para ser traçado o roteiro do que se pretende fazer na casa de Cabral, Camões, Fernando Pessoa e outros que tais.
Avião no chão, é hora de matar a saudade e curtir tudo de bom que o país oferece. Incluindo, claro, comes e bebes e vinho do melhor.
No Porto, como em outras cidades lusitanas, as ruas estreitas, as ladeiras e os casarios são familiares aos brasileiros.
Lembram as cidades histórias das Minas Gerais, as ladeiras do Pelourinho, na Bahia, de São Luís do Maranhão e outras “vilas” traçadas pelos patrícios na época colonial. Como a Rota do Vinho fez e faz a fama da região é imperdível as visitas guiadas às quintas, incluindo degustação de taças e mais taças do legítimo Porto acompanhadas de delícias culinárias como arroz de malandro (bem soltinho), toucinho do céu, broa amarela, pão de favaios e ovos nevados...
As origens do vinho do Porto perdem-se no tempo. As vinhas começaram a ser cultivadas na região do Douro, rio que tem sua nascente no alto da Sierra de Urbion, no interior da Espanha, e cruza Portugal de leste a oeste.
O Alto Douro, ou melhor, a Região Demarcada dos Vinhos Generosos do Douro, estende-se pelo vale do rio Douro a partir de Barqueiros e vai até Mazouco, na fronteira espanhola.
O Alto Douro é um território agreste, quente no Verão e gelado no Inverno, formado por vales apertados e terras áridas. O solo do Douro é dominado por duras pedras de xisto, rodeado de granito. Cerca de 95% de todo o vinho produzido no Porto é cultivado numa área de 250 mil hectares, nas encostas em declive que se erguem sobre o rio e que não ultrapassam 25 quilômetros de extensão no trecho mais largo.
Mais de 30 castas tintas diferentes, sendo cinco delas de excepcional qualidade, são cultivadas nessa terra argilosa, que se transformou em um jardim suspenso. As raízes conseguem vencer as pedras de xisto e chegar até a 21 metros de profundidade em busca de água. Um milagre da natureza que nos brinda com um vinho maravilhoso: doce, macio e perfumado.
O vinho do Porto é essencialmente uma designação geográfica de origem e não um tipo de vinho. Há, na verdade, vários tipos de vinho do Porto: uns envelhecem em vasilhas de madeira, outros na garrafa. Para simplificar, são essencialmente esses os vinhos:
Branco (White) - produzido a partir de uvas brancas, envelhecido em casco que pode ser doce ou seco.
Tinto (Red) e Tinto Aloirado (Ruby) - Igualmente envelhecidos em casco. São geralmente novos e doces, com algum corpo e fruta. São vinhos de sobremesa e também muito usados em misturas.
Aloirado (Tawny) - Envelhecido do mesmo modo é quase sempre mais velho, mais aberto e elegante. Meio-seco ou doce pode atingir a mais alta qualidade e uma tonalidade de topázio queimado. Grande vinho de sobremesa, o Tawnay é também o mais versátil dos vinhos do Porto: poderá ser apreciado como aperitivo ou noutra ocasião.