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Um mestre revolucionário


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Carlos Bernardo González Pecotche faleceu em 4 de abril de 1963 deixando uma vasta obra bibliográfica e uma Escola de Adiantamento Mental com sedes na Argentina, Uruguai e Brasil. A Logosofia- ciência original de sua criação - continuou a ser estudada nas diversas sedes da Fundação Logosófica em Prol da Superação Humana que conta hoje com diversas filiais na América, Europa e Oriente Médio. O objetivo desta nova ciência é o estudo do ser humano em sua configuração psicológica e espiritual. Para González Pecotche, viver deveria significar muito mais do que ser um mero espectador do teatro da vida; mais do que um repetidor de frases e gestos criados por outras pessoas. E para que se pudesse chegar à compreensão clara do significado da vida e seu conteúdo, seria necessário conhecer e exaltar o amor à própria vida, à própria existência. Não o amor egoísta, separatista, que distancia os seres humanos por interesses diversos, raças, ideologias ou religiões, mas o verdadeiro, o que exalta cada criatura, cada gesto, cada amanhecer como um motivo de vida, de alegria e de verdade. O conhecimento move o homem para que se eleve, para que deixe de ser o que é para ser algo melhor; e é o grande agente criador das possibilidades humanas.

Na certidão de óbito do ilustre pensador consta a profissão de escritor, autor de composições literárias ou científicas. No dizer do advogado José Antonio Antonini, estudante de Logosofia e editor que teve a oportunidade de conhecer pessoalmente González Pecotche, “aqui se sobressai uma dessas particularidades do escritor: ele é autor de composições, não somente de uma ou outra modalidade, senão de muitas, tanto literárias quanto científicas. E fazia-o valendo-se de formas literárias conhecidas, como o romance, o diálogo, a expositiva, a poesia, o tratado, etc, mas sempre vinculando tais formas ao gênero científico, visto ser o criador de uma ciência que denominou Logosofia, uma especialidade científica e metodológica que se ocupa da reativação consciente do indivíduo.”

“A vida do ser humano tem dois grandes objetivos: evoluir na direção da perfeição e tornar-se um verdadeiro servidor da humanidade”. Com essas palavras, o pensador sintetizou o conteúdo da direção apontada por uma grande vontade que habita em todos os corações humanos e, tal qual uma lei, impulsiona-o para ascender às alturas inefáveis do conhecimento e da realização humanas. Dentre as grandes lições deixadas pelo grande humanista, destaca-se a da gratidão ao bem recebido que nos permite mantê-lo em nossas mentes e em nossos corações como um talismã que haverá de substanciar os nossos dias futuros e iluminar o caminho dos que virão trilhá-lo. Através da gratidão e da recordação, o espírito daqueles que beneficiaram a humanidade em sua breve passagem pela terra haverá de sobreviver e prosseguir em seu silencioso e humanitário trabalho, invisível aos olhos de muitos, mas sólido e consistente sob a perspectiva da história.

O autor, Nagib Anderáos Neto, é articulista

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