Quando jogávamos na preliminar da Ponte Preta, pelo campeonato da várzea em Campinas, nosso jogo era apelidado de “esfria sol”. Na Política, o vereador é o “esfria sol”. Sobe ao palanque quando o comício nem começou. Uma vez, na Hípica, fomos lançados na fogueira, sendo escalados para falar em primeiro lugar. O Lucio Luciano ainda estava instalando a bateria de caramurus. Não foi fácil! O segundo a subir ao palanque foi o Nelson Reginato. O Nelson tinha uma oratória clássica. Começava assim: - Prezadíssimas senhoras e prezadíssimos senhores da platéia!
Olhamos para a “platéia”: cinco munícipes esparcerados, dois bêbedos e quatro cachorros. Mas o Nelson prosseguiu firme com seu palavreado altissonante. Parecia que discursava no Senado Federal! Soprava um vento forte. De repente, um aviãozinho de papel vem direto e lhe bica a testa. O Nelson agarra o avião, vermelho de raiva, mas se acalma e diz:
- Vejam que maravilha a inventividade desses garotos! Com certeza tornar-se-ão excelentes aeronautas, no futuro.
E o comício prosseguiu. Porém, quando o candidato a vice-prefeito, Hugo Cavichini, estava usando a palavra, um avião chocou-se contra seus óculos e ele perdeu a calma:
- Olha aqui, gente! Qualquer dia desses, um moleque ainda vai furar os olhos de alguém. Vamos parar com esses aviões!
E o Comício foi chegando ao fim. Mais tarde, quando a “troupe” refazia as energias nas pizzas e camarões empanados do Molina, escutamos o Reginato abordar o Cavichini:
- Olha aqui, Hugo! Nós precisamos entrar num acordo! Eu elogio os aviõezinhos e você os critica! Assim não dá! Fica a impressão de briga interna na legenda, você concorda?
Mas o Hugo não disse nada. Limpou o chope do bigode e continuou a saborear a pizza de brócolis...
Contada por Rui Bertoti