Bauru será uma das cidades do Interior de São Paulo a dispor de uma estação de medição da qualidade do ar, que será instalada pela Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb). Os equipamentos para verificar poluição também serão instalados em cidades como Botucatu, Araraquara e Araçatuba. Atualmente, esse tipo de controle fora da região metropolitana de São Paulo só é feito em Cubatão, Campinas, Paulínia, São José dos Campos e Sorocaba.
“Definimos os locais de instalação levando em conta a presença de indústrias, a frota de veículos e a população exposta aos poluentesâ€, explica o gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb, Jesuino Romano.
De acordo com ele, a estação a ser encaminhada a Bauru não será tão completa quanto algumas já instaladas em São Paulo. No entanto, será capaz de medir poeira inalável, ozônio e alguns parâmetros meteorológicos (vento, temperatura, umidade relativa do ar e radiação solar).
“A completa mede ainda monóxido de carbono e dióxido de enxofre. Há alguns anos temos observado as cidades do Interior (com unidades móveis) e o ozônio ultrapassa o padrão de qualidade do arâ€, esclarece Romano, segundo quem o poluente é formado quando os raios solares incidem sobre óxido de nitrogênio (resultante de qualquer queima) e sobre compostos orgânicos voláteis.
“Em dias de céu limpo, o calor ajuda na formação do ozônio. Ele se manifesta em concentração mais alta das 11h às 17h. É agressivo à saúde das pessoas e prejudica principalmente as vias respiratórias†acrescenta Romano. Embora ressalte não ser especialista na área de Saúde, informa que o poluente também pode provocar tosse, aumentar os sintomas em asmáticos, além de atacar folhas de plantas.
Indefinição
O problema é resultante da emissão de poluentes por parte de indústrias, veículos e até de queimadas. Por essa razão, estação será instalada em Bauru na área urbana, onde haja grande concentração de pessoas. O local exato ainda não foi definido porque os equipamentos levarão no mínimo um ano e meio para chegar à cidade. Durante o período, o processo de licitação será realizado e a importação do equipamento, efetivado.
“Nós sugerimos (a instalação da estação) desde 2000. Bauru é uma cidade muito quente, com grande fluxo de ônibus e desprovida de árvores. Acho um avançoâ€, diz o diretor-executivo do Instituto Ambiental Vidágua, Ivan Alexandre Ferrazoli De Marche.
A organização não-governamental da qual ele é membro mediu a incidência de poluição na cidade em 1996. Na ocasião, utilizaram técnica que prevê a instalação de cortinas brancas em pontos estratégicos do município, por 15 dias. Passado o período, a cor do tecido passava por avaliação. Na época, já foi possível constatar pontos críticos de poluição em avenidas como Rodrigues Alves e Duque de Caxias.
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Poluição resulta em fuligem
A cada 15 dias, a professora Nilza Maria da Silva tem um compromisso doméstico: lavar as cortinas da casa, situada na quadra 31 da avenida Rodrigues Alves. O período é suficiente para a fuligem deixá-las quase pretas. “Fica tudo meio engordurado, deve ser óleo diesel. Por sorte, nós não somos alérgicos. Quando meu filho era bebezinho, teve problema de rinite (inflamação da mucosa nasal) alérgica, mas acho que depois se acostumou. Já recebi visita em casa e ela passou mal por causa da poluiçãoâ€, comenta.
Na opinião da professora, a instalação de uma estação de medição da qualidade do ar em Bauru só representará avanço, caso ajude a cidade a controlar o problema. “Se for só para colocar e pronto, não vai servir para nadaâ€, diz Nilza. Tem opinião semelhante o empresário João Pinto de Lima, para quem o poder público terá de levar a sério a medição.
“Aliás, a cidade toda tem de se preocupar com isso, porque é o ambiente onde a gente vive. Qual o legado que vamos deixar aos nossos descendentes?â€, questiona. Desde que sua loja passou a atender na quadra 12 da avenida Duque de Caxias, Lima diz sofrer mais com rinite alérgica. “Se tivesse mais árvores, talvez melhorasse um poucoâ€, avalia.