Bairros

Prefeitura tem 15 dias para cobrir todo lixo

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O lixo espalhado pelo aterro sanitário de Bauru tem 15 dias para ser coberto por terra sob risco da Prefeitura Municipal ser multada pela Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb). A advertência por escrito foi encaminhada ontem pela companhia, que inspecionou o local tomado por urubus e moscas.

Caso o problema não seja resolvido dentro do prazo, a administração municipal estará sujeita a multas que variam de 300 Ufesps (R$ 3.390,00) a 10 mil Ufesps (R$ 133.000,00). “A gente analisa e prevê a multa (geralmente de 300 Ufesps). Em casos gravíssimos, chega a 10 mil Ufesps. Levei a situação (do aterro) à diretoria em São Paulo”, informa o diretor da Cetesb de Bauru, Rogério Chini.

De acordo com ele, há cerca de 15 dias, representantes da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), responsável pelo aterro, o procuraram de maneira espontânea para explicar as dificuldades com maquinário utilizado no local.

“Realmente nós estamos com problemas operacionais lá dentro. Não tanto pela situação atual. Mas quando nós assumimos (em janeiro), existia um volume de lixo acumulado muito grande. Ficaram praticamente dois meses sem empurrar e tampar o lixo (por falta de maquinário). Então nós tivemos de abrir licitação”, diz o presidente da Emdurb, Renato Purini.

Na ocasião, foram locadas horas de uma esteira (para empurrar o lixo) e uma pá-carregadeira (para cobrir com terra os dejetos), cuja validade do contrato deve expirar em 15 dias. No entanto, uma nova licitação para contratar mais 400 horas de esteira e 320 horas de pá-carregadeira deve ser publicada no Diário Oficial Município (DOM) de hoje.

“Em dez dias nós já devemos trabalhar com elas (as que serão licitadas). Nós ainda estamos consertando nosso D4 e nosso D6 (esteiras), que estavam paradas, com funcionários da própria empresa. No máximo em 40 dias essas duas máquinas estarão no aterro. Ou seja, quando tivermos elas, não precisaremos mais pagar hora de máquinas de fora”, acrescenta Purini.

Ele ressalta ainda uma parceria com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), que resultará na contratação de outra esteira e outra pá-carregadeira para cobrir o lixo.

“No prazo mais curto possível nós queremos tampar tudo que estava para trás e manter o serviço diário (200 toneladas/dia). Nós entendemos a advertência e estamos nos empenhando para sanar o problema. Tenho plena convicção que resolveremos o problema em 30 dias. Era previsível que isso acontecesse (a advertência), porque é o dever de ofício da Cetesb”, conclui o presidente da Emdurb.

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Insuportável

Insuportável tornou-se palavra corriqueira para o agente de segurança Carlos Sanches, ao classificar o odor exalado pelo aterro sanitário. Funcionário da Penitenciária 2 de Bauru, ele diz que a reclamação é constante entre presos e diretores da instituição, situada próximo ao “lixão”.

“A vantagem é que eu trabalho das 7h30 às 16h30. Mas para quem fica o dia todo, é insuportável, um desrespeito. Quando faz calor (o mau cheiro) é péssimo. Mas quando chove (e depois a temperatura sobe) é ainda pior”, diz. Na opinião dele, advertência é pouco porque sempre após às reclamações, uma máquina é enviada para o aterro, onde permaneceria por poucos dias.

Mas o problema é ainda maior: a vida útil do aterro está estimada em no máximo 18 meses. Correndo contra o relógio, o presidente da Emdurb, Renato Purni, iniciou pré-cotações para posteriormente contratar via licitação empresa capaz de elaborar projeto para pleitear à Cetesb a quarta camada de compactação de lixo.

A medida é tida pela empresa como a saída rápida para o risco de esgotamento do aterro, já que o período de instalação de um novo não é inferior a três anos. Por outro lado o trâmite para a aprovação da quarta camada de compactação pelos órgãos ambientais é de aproximadamente nove meses, após o protocolo do pedido na Cetesb.

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