Economia & Negócios

Pão francês está mais caro na cidade

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Um aumento de 24% na cotação da saca de farinha de trigo começa a refletir no preço do pão francês (50 gramas) em Bauru. Nas padarias, alguns proprietários já estão reajustando suas tabelas e outros informam que só conseguirão manter o valor atual por mais 15 a 30 dias. No bolso do consumidor, essa variação pode chegar a 10%.

De acordo com o Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria de Bauru e Região, que abrange cerca de 200 municípios, a tonelada do trigo em grão nacional, que no início do mês passado era negociada a R$ 355,00 no Paraná, subiu para R$ 470,00, um aumento de 24%.

Segundo a entidade, os preços internos acompanham a alta do mercado internacional, principalmente na Argentina, de onde os moinhos brasileiros importam cerca de 50% do cereal que processam. O trigo argentino, que estava em US$ 110,00 a tonelada em 10 de fevereiro, é cotado hoje a US$ 142,00, alta de 29%.

“O Brasil já é um importador por excelência. Tivemos um aumento de produção nos últimos dois anos que ajudou a segurar o preço do pãozinho no mercado interno. Mas no ano passado, com a seca enfrentada pelo Rio Grande do Sul e Paraná, houve falta do produto e aumentaram as importações”, salienta o presidente do sindicato, Evaristo Rodriguez Gonzalez.

Numa padaria no Centro da cidade, o gerente de vendas Alexandre Módolo informa que o pão francês está mais caro desde anteontem. “Nós tínhamos feito uma redução de 10% recentemente e, com esse aumento, tivemos que voltar o pão para o valor original. Hoje, estamos cobrando R$ 4,40 o quilo, R$ 0,22 a unidade”, informa.

Módolo comenta, porém, que a variação de preço não é só da farinha. “Temos percebido aumento de outros itens, como ovos, leite condensado, doce de leite e alguns produtos importados, que subiram mesmo com a cotação do dólar mais baixa. Ficamos um ano sem fazer reajustes, mas agora não tivemos como segurar”, observa.

Em outro estabelecimento, no Jardim Godoy, a proprietária, Alexandra Regina dos Santos, diz que só vai esperar os concorrentes começarem o reajuste.

“Aí tenho que subir também, porque não dá para agüentar. Eu só estou conseguindo manter o preço do pão hoje a R$ 0,12 porque minha mão-de-obra é familiar. Se tivesse funcionários, não agüentaria. Mas a pré-mistura subiu e, em mais algumas semanas, vou ter que subir também”, lamenta.

No Jardim Estoril, a sócia e gerente de uma padaria, Maria Geny Crepaldi, mostra-se preocupada. “O movimento já está fraco com o preço que está (R$ 0,18). Se aumentar, vai ficar ainda mais complicado. Vamos tentar levar (esse valor) até quando der, mas quando a gente vir que não dá, tem que aplicar o aumento e acho que isso deve ocorrer, no máximo, em mais 30 dias”, afirma.

“Vai ter que subir, não tem jeito”, destaca o proprietário de uma padaria no Jardim Bela Vista, Luiz Carlos Araújo. “O saco de 25 quilos de farinha que custava R$ 23,00 foi para R$ 30,00. Fica difícil manter os preços. Tenho seis funcionários, tenho encargos. O cliente reclama, desaparece por um tempo quando subimos o preço, mas depois volta, porque todo mundo tem que subir”, pondera.

Necessidade

Gonzalez chama a atenção para o fato de que o panificador é tão vítima dos reajustes como o consumidor. “E mesmo o produtor, porque esses aumentos ocorrem na revenda”, salienta.

“O panificador, como seu freguês, também é um trabalhador. Ele gostaria de ter um preço mais em conta para servir melhor à população. Afinal, quanto mais ele vende, maior é sua produção. Mas se o custo aumenta, não é dele a responsabilidade. Ele é obrigado a reajustar também”, acrescenta.

Segundo Gonzalez, Bauru tem aproximadamente 120 padarias atualmente, cobrando entre R$ 0,12 e R$ 0,25 a unidade do pão francês. Com o reajuste, o pãozinho pode chegar a R$ 0,30 em alguns estabelecimentos.

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