Economia & Negócios

Artigo: Quando o consumidor exige qualidade


| Tempo de leitura: 3 min

A segurança alimentar é um assunto sério e figura na pauta mundial de discussões. Informações sobre epidemias como a “doença da vaca louca” e a “gripe aviária” correm o mundo diariamente. Está claro que segurança alimentar deixa de ser um diferencial para se tornar uma exigência dos consumidores de proteínas de origem animal. Essa transformação afeta diretamente a pecuária de corte brasileira e todos os elos envolvidos na cadeia produtiva de carne bovina, na qual o País lidera as exportações mundiais, com 1,8 milhão de toneladas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina.

Com um rebanho próximo a 190 milhões de cabeças, o Brasil segue a tendência mundial e trabalha para adequar sua produção à exigência dos consumidores. Os pecuaristas nacionais que desejam atingir o mercado europeu (nosso mais importante cliente), por exemplo, precisam respeitar uma série de normas de segurança alimentar, preservação ambiental e manejo racional dos animais. No caso da carne bovina, estas regras têm um nome: Certificação EurepGAP IFA.

Eurep é a sigla em inglês para Euro Retailer Produce Working Group - entidade representante dos maiores varejistas de alimentos da União Européia, entre eles Mac Donalds Europe e Mark&Spencer -, e GAP, Good Agricultural Practice. A partir de 2000 foi criado um selo específico para a cadeia produtiva da carne bovina, o EurepGAP IFA. Em síntese, EurepGAP IFA é a certificação das boas práticas de produção. Do ponto de vista técnico, consiste em uma série de documentos normativos aprovados por certificadoras reconhecidas internacionalmente.

Na Agropecuária Conquista, empresa pecuária no Interior de São Paulo, iniciamos o processo de auditoria do EurepGAP IFA em outubro do ano passado para duas de nossas fazendas. Há algumas semanas conseguimos a certificação e estamos habilitados a exportar 100% de nossa produção, estimada em 1.890 toneladas em 2005, para a Europa. Dentro das exigências da certificação estão a coleta seletiva de embalagens de agroquímicos e a coleta de lixo, com manipulação e depósito rastreados, registros de manejo sanitário identificados individualmente, bem como a quantidade de cada medicamento ministrado e sua procedência, além do histórico de doenças acometidas no rebanho.

O processo é tão rigoroso que nem os animais domésticos escapam. Há registros específicos, com nome, idade e histórico de vacinação. Manutenção do maquinário agrícola é descrita em detalhes, especialmente quanto à limpeza de bombas de herbicidas. O relatório do EurepGAP IFA indica ainda a forma como os resíduos químicos são tratados e devolvidos à natureza. O abate humanitário dos bovinos é outra exigência importante.

Após as epidemias mundiais e a rápida introdução dos alimentos transgênicos, o mercado consumidor de produtos agropecuários está apreensivo quanto ao processo produtivo, criando medidas que possam garantir a qualidade dos alimentos postos a mesa. Cabe aos pecuaristas brasileiros continuar se profissionalizando para fornecer qualidade, para de um lado consolidar a liderança do Brasil no cenário mundial e de outro, manter-se na busca por melhores preços aos seus produtos.

O autor, Fernando de Arruda Botelho, é empresário e proprietário da Agropecuária & Comercial Conquista, que possui cinco fazendas destinadas à pecuária no Interior paulista.

Comentários

Comentários