Economia & Negócios

Artigo: Endividamento dos brasileiros


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Em janeiro de 2005, os empréstimos concedidos aos brasileiros totalizaram R$ 117 bilhões. Em fevereiro nossa população ficou endividada em mais de R$ 120 bilhões. Seguramente em março, vamos chegar ou superar os R$ 125 bilhões, ou seja, apenas neste trimestre, são mais de 360 bilhões de empréstimos contraídos por nossa população.

Enquanto nosso governo comemora a não renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), abrindo mão de contrair empréstimos de US$ 40 bilhões no decorrer deste ano, este mesmo governo permite passivamente que Bancos, Financeiras e Cartões de Crédito, emprestem dinheiro a juros abusivos e a população acumule dívidas em cima de dívidas, às quais, ao longo deste mesmo ano, serão superiores a US$ 480 bilhões.

É isto mesmo, os brasileiros, mantendo a média mensal de empréstimos contraídos até o final de março, vão se endividar, até o final deste ano, mais de 12 vezes o valor que o Brasil deixou de pedir emprestado ao FMI. Impressionante!

A grande diferença é que, enquanto o governo pagou em acordos anteriores ao FMI, juros internacionais, que giram em torno 4% a 6% ao ano, sua população vai pagar juros de mais de 100% ao ano. Portanto, para quitação desses empréstimos será necessário o desembolso do dobro em cima dos valores emprestados, em função dos juros absurdos praticados pelo sistema financeiro.

Fica difícil uma economia funcionar desse jeito já que o dinheiro ganho pelo cidadão, fruto do seu trabalho, é quase que totalmente direcionado para quitar dívidas. Tem de haver limites, não pode uma economia interna crescer somente para quem pratica agiotagem oficializada, como nosso sistema financeiro em todo País.

A verdade é que o crescimento econômico divulgado com euforia pelo governo está concentrado somente nas grandes indústrias e agricultores que exportam seus produtos; quem atende o consumidor brasileiro continua demitindo ou fechando as portas, seja indústria, comércio ou prestadores de serviços.

O motivo da estagnação da economia interna é o total endividamento da população que está acumulando débitos de quase US$ 500 bilhões por ano, e vai ter que pagar o dobro. Enquanto isso o governo comemora por não precisar se endividar em US$ 40 bilhões, entretanto, estimula empréstimos aos funcionários públicos em atividade, aposentados e pensionistas e permite que seu povo fique na mão dos agiotas oficializados.

São números tão astronômicos que fica no ar a dúvida: será que nosso governo é “sócio” do sistema financeiro? Não tem outra explicação.

O autor, Emanuel Gonçalves da Silva, é economista, consultor de dívidas de pessoa física e jurídica, juiz arbitral e instrutor de palestras, cursos e seminários

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