Saúde

Médico recomenda fazer rodízio

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

De acordo com o médico cardiologista e nutrólogo Sérgio Puppin, para obter melhores resultados com os alimentos termogênicos, é importante fazer um rodízio entre eles e fazer uma pausa na ingestão de cada um a cada três meses, aproximadamente.

Isso ocorre porque o organismo humano tem uma facilidade muito grande de se acostumar com as mudanças, regra que vale para várias situações.

Um exemplo é a atividade física. A pessoa começa com poucos minutos, poucos quilômetros, passadas normais. Com o tempo, o corpo se acostuma e é preciso aumentar o percurso, a velocidade ou a extensão das passadas para se obter um resultado satisfatório.

A mesma coisa ocorre com os alimentos termogênicos. “O organismo, de uma forma inteligente, busca mecanismos adaptativos para neutralizar a ação desses alimentos. Por isso, não é aconselhável utilizá-los todos ao mesmo tempo. O ideal é fazer um rodízio entre eles”, destaca.

Segundo Puppin, o consumo de um único alimento termogênico não deve ultrapassar três meses consecutivos. O ideal é fazer uma pausa de um mês a cada três meses. Ou intercalar os alimentos, usando vinagre no primeiro mês, gengibre no segundo, pimenta no terceiro e, assim, sucessivamente.

Orientação

A nutricionista Adriane Gasparino dos Santos, professora de dietoterapia na Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru, salienta que os alimentos termogênicos não podem ser usados como fórmulas mágicas. Na opinião dela, o ideal seria incluí-los no cardápio com o auxílio, orientação e acompanhamento de um profissional.

Principalmente porque as pessoas têm características e necessidades individuais. O que funciona para um pode não funcionar para outro. Cabe ao especialista avaliar o paciente, conhecer seu organismo, seus hábitos e só então prescrever o melhor tratamento para o emagrecimento.

“Não posso indicar pimenta, por exemplo, para uma pessoa que tenha uma úlcera ou sofra de hemorróidas. Nesse caso, a pimenta traria muito mais danos que benefícios. Esse tipo de individualidade precisa ser levado em conta”, destaca.

Além disso, a nutricionista defende que a manutenção do peso adequado exige a adoção de vários hábitos saudáveis simultaneamente. “Esses alimentos realmente promovem um gasto maior de energia, mas se as pessoas ficarem só nisso, sem reeducação alimentar, não vão emagrecer. Algumas matérias veiculadas na mídia têm passado essa impressão, de que é só comer termogênicos e pronto. E não é isso”, salienta.

Ela comenta que várias dessas soluções nutricionais já foram veiculadas outras vezes e caíram no descrédito por serem mal aplicadas.

Como a mistura de berinjela crua com laranja para regular os níveis de colesterol e pressão arterial. Não existe milagre, apenas um aumento na ingestão de fibras. Uma pessoa que já come regularmente frutas, verduras, legumes e cereais, o suco representaria uma quantidade a mais de fibras. Para quem não ingere esses alimentos, o suco não forneceria sequer a quantidade mínima de fibras preconizada por dia.

“A principal atuação dos alimentos termogênicos é aumentar o metabolismo basal. Mas não se consegue um aumento do metabolismo basal sem a introdução de atividade física regular”, alerta Santos.

Segundo ela, o emagrecimento depende de tudo isso junto. “Tem que fazer reeducação alimentar, diminuir a ingestão de gorduras, de frituras, de doces, fracionar as refeições, fazer exercícios e incluir os termogênicos na alimentação. Aí eles funcionam”, observa.

Puppin concorda e reforça. “Em nenhum momento sugerimos que estes alimentos por si só são suficientes para emagrecer as pessoas. Na realidade, eles fazem parte de uma série de medidas que devem ser tomadas em conjunto, como exercícios físicos, moderação na quantidade e maior qualidade dos alimentos ingeridos”, reitera.

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Gordurofobia

A moda do corpo esbelto ao estilo top model tem causado um problema ao qual o médico Sérgio Puppin dá o nome de gordurofobia. “As pessoas têm medo, pavor de aparentar alguns quilinhos a mais. Sobretudo as mulheres, que querem ser verdadeiras manequins esqueléticas”, adverte.

Uma das características desse distúrbio, segundo ele, é a obsessão que algumas pessoas têm em escolher nos supermercados somente alimentos dietéticos, com o rótulo de light ou sem colesterol. “Muitas vezes, elas acabam comprando produtos cheios de gorduras ruins, especialmente as gorduras hidrogenadas. Ou com excesso de carboidratos e produtos excessivamente processados e refinados”, afirma.

O médico pondera que as pessoas não precisam ter essa fobia por alimentos gordurosos. Basta saber escolher aqueles que têm gorduras mais saudáveis, como o azeite de oliva que até ajuda a aumentar os níveis de colesterol bom, por exemplo.

Ele comenta que o perigo das gorduras está nas saturadas, especialmente as hidrogenadas. E o perigo dos carboidratos está nos refinados, que podem e dever ser substituídos pelos integrais, mas sem neuroses. O importante é seguir uma rotina saudável para, de vez em quando, poder cair em tentação sem culpa.

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