O Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL) está bem classificado em relatório do Ministério da Saúde, que analisa o atendimento a portadores de hanseníase prestado por 33 hospitais-colônias existentes no País. Do total, apenas cinco instituições receberam conceito bom, entre elas o instituto de Bauru.
“O ILSL é referência nacional. Comparando com os demais, eu daria nota 8,5. Existem outros lugares com problema de estrutura física, com prédios que ameaçam desmoronar, com falta de assistência médica”, diz Magda Levantezi, técnica do ministério que coordenou o levantamento, também respaldado no depoimento de pacientes e ex-pacientes que ainda vivem nas colônias.
De acordo com ela, o relatório foi dividido em outras duas partes além da azilar: a hospitalar e a comunitária. “A situação de Bauru é boa, só falta a recuperação do patrimônio histórico”, informa, ao referir-se ao prédio onde já funcionou o teatro e o cinema da instituição.
A restauração do imóvel, tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), foi iniciada e depois interrompida porque o conselho desaprovou a indicação de um profissional para recuperar detalhes do teto do prédio, explica o diretor-geral do ILSL, Marcos Virmond.
“Querem um profissional mais qualificado. Mas nós já conseguimos adiantar bastante a obra. Estamos negociando com São Paulo (Condephaat) para retomar”, explica. O diretor-geral estima que dentro de um mês, prossiga a restauração paralisada há mais de seis meses.
“O projeto é uma parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Como conheço a realidade dos hospitais do Brasil imaginava que a avaliação do ILSL não seria ruim”, acrescenta Virmond. A análise do ministério foi constituída com base na portaria 587 de abril de 2004, ano em que técnicos do Ministério da Saúde estiveram em Bauru para aferir as condições de instalação do instituto.
Como a conclusão foi positiva, o ILSL não será contemplado com os R$ 8 milhões liberados pelo governo federal para a reforma das 12 unidades mais precárias da área. A reportagem tentou contato ontem à noite com o Condephaat, mas não localizou ninguém para comentar o assunto.
História
O Instituto Lauro de Souza Lima foi criado em 1933 como Asilo-Colônia Aymores, onde eram internados os portadores de hanseníase do Estado de São Paulo. A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa, que pode provocar deformidades em nervos periféricos (como mãos e pés). Os pacientes da moléstia eram isolados compulsoriamente em asilos.
A estrutura dessas instituições dispunha de área reservada para atividades agropecuárias, para pequenas fábricas e oficinas. O prédio ainda contava com quadras esportivas, jardins, praças, quiosques e até cassino.
Em 1949, o asilo foi transformado em sanatório. Vinte anos depois, passou a se chamar Hospital Aimorés de Bauru. Em 1974, recebeu o nome de um dos grandes hansenologistas do Brasil e tornou-se o Hospital Lauro de Souza Lima.