Economia & Negócios

Consumidor terá leite C com mais qualidade e variedades

Por Patrícia Zamboni | Colaborou Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Se o prazo não for prorrogado, a partir do dia 1 de julho os adeptos do leite tipo C deverão começar a consumir um produto com mais qualidade, que passará a ser classificado apenas como “leite pasteurizado”. Nesta data deve entrar em vigor a Instrução Normativa (IN) n.º 51, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que exigirá, entre outros itens, a ordenha mecânica para elevar a qualidade do leite atualmente chamado de “C”.

As mudanças também farão com que esta “nova versão” do leite seja oferecida nas opções integral, semidesnatado e desnatado. Os leites tipo B e A e os de caixinha (UHT) continuarão existindo com suas características. Segundo o fiscal agropecuário da Regional do Serviço de Inspeção Federal (SIF) em Bauru, Luís Resende, as mudanças diminuirão os riscos de contaminação do leite.

Como as exigências da IN vão impactar toda a cadeia de produção do leite C, deve ocorrer aumento de preço para o consumidor final. O novo valor, contudo, só será conhecido depois que o produto estiver disponível no mercado.

“O que o governo federal quer é melhorar a qualidade do produto ao consumidor final. Mas o produtor também vai sair ganhando, porque se vender um produto de melhor qualidade, vai ter condições de aumentar as vendas, inclusive”, observa Resende. Segundo ele, a IN 51 foi editada pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa).

Atualmente, o leite tipo C - encontrado somente na embalagem em sacos plásticos - é comercializado, em média, a R$ 0,90 a unidade. O leite longa vida, vendido em caixinhas, é encontrado no valor de aproximadamente R$ 1,30, com variações para mais e para menos. O preço inibe o seu consumo para grande parte da população.

É o caso da diarista Eloani Mara Aparecido, que sempre ferve o leite antes de servir ao marido e aos três filhos. Por dia, a família consome cerca de dois litros de leite C. No bairro onde mora, Parque Santa Edwirges, ela conta que é fácil achar “leite de saquinho” nos bares.

“Eu acho o leite de caixinha mais gostoso, mas é muito caro, mesmo quando tem promoção. Além disso, depois de aberto o leite de saquinho dura só três dias. Os meninos estão acostumados com o leite C, mas não gostam quando forma nata depois que eu fervo. Eu acho bom que o leite fique com mais qualidade para a gente tomar, mas será que o preço vai subir muito?”, indaga Eloani.

Pasteurização

De acordo com Luís Resende, as mudanças não aproximarão o leite C das características do leite longa vida. “O UHT é ultrapasteurizado. Ele é submetido a uma temperatura de 150 graus por quatro segundos, seguido por um rápido resfriamento. Assim, todos os microorganismos são eliminados. O leite pasteurizado fica em 75 graus e, quando embalado, ainda tem lactobacilos vivos”, detalha o fiscal agropecuário.

A zootecnista Viviane Martha de Castro Pereira, diretora de abastecimento da Secretaria Municipal de Agricultura, diz que no momento a preocupação é com os produtores de leite C. Segundo ela, apesar das exigências da IN 51 estarem previstas para entrar em vigor em julho, a maioria deles não está preparada para se enquadrar às normas.

A Instrução Normativa foi publicada no Diário Oficial da União em 20 de setembro de 2002, dando prazo para que fossem feitas as devidas adaptações até 30 de junho de 2005. A fiscalização não será feita pelo município, e sim por órgãos competentes estaduais e federais.

“O leite C também já é produzido com ordenha mecânica (além da manual). Só que se o produtor não tem o resfriador na sua propriedade e coloca o leite num latão para ser transportado até o laticínio, continua sendo considerado tipo C. Quando ele não passa por nenhum processo manual, é leite A”, explica.

Segundo ela, como as mudanças da Instrução Normativa vão gerar impactos em toda a cadeia produtiva, alguns laticínios da região de Bauru já estão comprando mais equipamentos de refrigeração para o processo de industrialização do leite ainda classificado como tipo C.

“Os laticínios sempre vão precisar da matéria-prima, que é obtida pelos produtores. Então, eu acredito que as mudanças vão possibilitar uma atuação em parceria de produtores e laticínios. Mas pelas normas, os produtores não poderão mais trabalhar com ordenha manual nem deixar as vacas em local de chão batido; vai ter que ser contrapiso. O objetivo é aumentar as condições de higiene na produção.”

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União

De acordo com a zootecnista Viviane Martha de Castro Pereira, diretora de abastecimento da Secretaria Municipal de Agricultura, há tempos o órgão vem trabalhando junto a produtores de leite da região com a idéia dos grupos de produção. A associação entre pequenos produtores pode ser a saída para não sucumbir às exigências do mercado.

“O difícil é estar sozinho, e não ser pequeno. As novas normas exigem que a matéria-prima deve sair da propriedade o quanto antes para chegar ao local de resfriamento. As associações são, justamente, uma forma de viabilizar esses pequenos produtores. Juntos, eles podem dispor de menos recursos (dividindo os gastos entre eles) para, por exemplo, comprar um tanque comunitário de resfriamento de leite”, aponta.

Segundo ela, em Presidente Alves, Iacanga, Reginópolis e Avaí já existem associações formadas. Em Bauru, há um grupo de produtores que negociam e vendem juntos o leite, mas a associação ainda não está formalizada.

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