Regional

Igaraçu critica programa da CPFL

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Igaraçu do Tietê - O que era para ser um motivo de alívio financeiro transformou-se em uma grande aflição. É desta forma que o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Igaraçu do Tietê (71 quilômetros a sudeste de Bauru), José Maria Capelasso, define o programa de eficiência energética implantado na autarquia pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

O objetivo do programa é reduzir o consumo de energia e conseqüentemente as despesas do Saae com a estação de captação, tratamento e distribuição de água “Julio Vieira”, a maior da cidade. Na prática, os números apresentados pela autarquia demonstram que ocorreu exatamente o contrário.

O contrato para execução do serviço foi assinado em janeiro de 2003. No ano anterior, a despesa da estação “Julio Vieira” com energia elétrica havia sido de R$ 155 mil. No ano de assinatura do contrato, os gastos saltaram para R$ 207 mil. Em 2004, houve novo acréscimo. Desta vez, a despesa bateu na casa dos R$ 230 mil.

No entanto, a implementação efetiva do programa - quando os resultados deveriam mostrar na prática a eficiência prometida - ocorreu apenas em janeiro deste ano. Ou seja, dois anos depois da assinatura do contrato.

Nesse tempo, foram feitas algumas trocas de equipamentos e peças hidráulicas, foi instalado um inversor de frequência (no contrato constam dois), entre outras pequenas modificações, segundo Capelasso.

Mesmo depois de tanta espera, os resultados não agradaram. A título de comparação, o diretor do Saae exibe a conta de energia de dezembro de 2004 e as de janeiro, fevereiro e março deste ano. A despesa saltou de R$ 19 mil, em dezembro, para R$ 26 mil no mês passado.

Anulação

Indignado com a curva ascendente no gráfico de consumo e despesa da estação, o diretor da autarquia foi à Justiça pedir a anulação do contrato. Embora o próprio contrato preveja que a rescisão pode ser feita caso haja descumprimento total ou parcial de cláusulas contratuais. A garantia de economia consta em uma das cláusulas.

Segundo consta do contrato firmado com a CPFL, após a implantação do programa deveria haver uma economia anual de aproximadamente R$ 98 mil na despesa com a estação de tratamento e distribuição de água. Com essa economia seria possível pagar uma parte dos serviços contratados.

O custo total pela execução do programa foi fixado em R$ 172,9 mil. Desse total, caberia ao município o pagamento de pouco mais de R$ 69 mil, divididos em nove parcelas. O restante, segundo informou Capelasso, seria coberto por um programa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Falta d’água

Além de não atingir o objetivo, o Saae passou a ter problemas com a queda na pressão da água nas redes mestres, o que afetou o abastecimento em alguns bairros e Centro da cidade.

No dia 18 do mês passado, a autarquia paralisou o sistema desenvolvido pela CPFL e voltou ao sistema antigo. Segundo Capelasso, a medida teve como objetivo evitar que parte da cidade continuasse sendo prejudicada.

Levantamento feito pela autarquia aponta ainda que o valor do investimento apresentado pela CPFL estaria muito abaixo da realidade. Segundo o diretor, analisando as notas fiscais dos materiais usados para implantação do programa, o valor não atinge um terço do total contratado.

Além da estação “Julio Vieira”, existem ainda outras três em Igaraçu. Segundo Capelasso, se o programa tivesse dado certo, o Saae tinha interesse em implantá-lo em mais duas estações.

“Não basta cancelar (o contrato). Quero saber por que a CPFL não obedeceu o que foi acertado”, reclama o diretor. “Nada do que eles fizeram aqui serviu. Eles podem levar tudo embora”, falou Capelasso, referindo-se às peças e equipamentos que foram instalados na estação.

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Empresa rebate

Em nota encaminhada ao Jornal da Cidade, a assessoria de imprensa da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) esclarece que o contrato firmado com o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Igaraçu do Tietê está em fase de diagnóstico.

Segundo a empresa, o projeto prevê uma expectativa de 15% na redução do consumo de energia. Se por algum motivo o resultado não fosse alcançado, a empresa alega que existe uma cláusula contratual que estabelece que o valor a ser pago obedeceria uma média das contas de energia anteriores ao diagnóstico.

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