Cultura

Cultura se mobiliza por feira

Thaís da Silveira
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Uma reunião prevista para a próxima semana entre a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) e profissionais do ramo da literatura e livros de Bauru discutirá a possibilidade de retomar a Bienal do Livro na cidade. O evento, cuja terceira edição estava prevista para este ano, foi cancelado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp).

O titular da SMC, José Augusto Ribeiro Vinagre, entrou em contato com a Imesp ontem para obter mais informações sobre o cancelamento do evento já que, em nota enviada ao JC Cultura, a instituição alegou que a bienal não seria realizada em 2005 por falta de iniciativa do município.

Ao secretário municipal de Cultura, a chefe do Núcleo de Relações Institucionais da Imesp, Vera Wey, teria admitido que o evento não é mais prioridade da instituição. “Ela deixou claro que não cancelou nada porque não tinha nada marcado. Colocou-se à disposição, mas disse que a feira não é mais a finalidade principal da Imprensa Oficial”, expõe Vinagre.

Na reunião da próxima semana, convocada pela SMC, deve ser discutido um calendário para a área de literatura em Bauru e a importância de tentar retomar a Bienal do Livro na cidade. “Podemos chegar à conclusão de que a bienal não é a prioridade. Mas isso não sou eu que vou dizer”, diz o secretário.

Caso o evento seja considerado prioritário, a secretaria municipal buscará apoio para realizá-lo - entre eles, o da Imesp. “Não sei se temos condições de fazer um evento desse porte sozinhos”, destaca.

Vinagre destacou, ainda, que o cancelamento da feira não aconteceu por inércia da SMC nem da administração passada.

Ontem, Wey reafirmou que as feiras de livros realizadas no Interior sempre foram promovidas pelas prefeituras municipais. “A imprensa municipal sempre participou como parceira. A valorização do evento deveria ser feita pelo prefeito municipal”, enfatiza. O prefeito, Tuga Angerami (PDT) não quis se pronunciar sobre o assunto.

Contrariando a alegação da Imesp, o ex-secretário municipal de Cultura, Sérgio Losnak, e o assessor da EdUSC, Mário Mazzilli, afirmam que, em anos anteriores, a Imprensa Oficial sempre foi a grande realizadora do evento em Bauru.

“O projeto não é da prefeitura. É da Imprensa Oficial e da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Todas as conversas para a realização das feiras começavam em janeiro do mesmo ano. A prefeitura apoiava com parte da infra-estrutura, limpeza, trânsito e investimento em livros para alunos das escolas municipais. Em 2003, fomos convidados para uma reunião quando já estava praticamente tudo definido”, salienta Losnak.

“No ano passado, não recebemos nenhum comunicado de que não iria acontecer. Se dissessem que haveria a feira, teríamos nos oferecido para participar, como das outras vezes”, acrescenta o ex-secretário.

Mazzilli também afirma que a EdUSC - uma das parceiras do evento nas edições de 2001 e 2003 - não havia sido oficialmente informada sobre o cancelamento. “Eu estava desconfiado, porque tínhamos percebido que não era mais um projeto da Imprensa Oficial. Mas sem dúvida, era uma iniciativa que tinha como grande promotora a Imprensa Oficial. Se a Imprensa Oficial não tomasse a iniciativa, a feira não sairia porque dependia de custos em que ela tinha que avançar”, garante.

Cancelamento

Conforme matéria publicada ontem pelo JC Cultura, a Imprensa Oficial cancelou a terceira edição da Bienal do Livro sem justificativas concretas. Alegou apenas que não houve demanda por parte do município. O evento havia sido anunciado pela própria Imesp em 2003, durante a segunda edição da feira, como integrante do calendário oficial do município a cada dois anos.

A notícia gerou comentários inclusive na sessão da Câmara Municipal de ontem. O vereador Paulo Madureira (PP) chegou a sugerir a apresentação de uma moção de apelo com intuito de reverter a decisão.

A 1.ª Feira do Livro de Bauru foi realizada em 2001, no Centro de Convenções Mixage. O evento foi promovido pela Imesp, com apoio da CBL, Associação Nacional das Livrarias, Prefeitura Municipal e Secretaria de Estado da Educação. Teve público de 80 mil pessoas.

No mesmo ano, a Imesp anunciou que a Bienal do Livro chegaria a Bauru em 2003, através do projeto Circuito Paulista do Livro. A cidade estaria entre quatro escolhidas para sediar o evento, que seria realizado nos moldes da Feira do Livro. Outras selecionadas seriam Campinas, Ribeirão Preto e Santos.

Em 2003, o evento recebeu o nome de 2.ª Bienal do Livro de Bauru, foi sediado pela Universidade do Sagrado Coração (USC) e recebeu 40 expositores.

Na ocasião, o novo presidente da Imesp, Hubert Alquéres, reafirmou a intenção de incorporar a bienal ao calendário fixo da cidade. “Se depender da gente, a cada dois anos a população de Bauru e região saberá que terá a bienal”, disse, sugerindo a edição de 2005.

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Críticas

O cancelamento da 3ª Bienal do Livro de Bauru foi bastante comentado pelos vereadores da Câmara Municipal ontem à tarde, durante a sessão legislativa. O vereador Paulo Madureira (PP) chegou a sugerir a apresentação de uma moção de apelo com o intuito de reverter a decisão da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp).

“A bienal é muito importante para Bauru. Espero que o secretário José Augusto Vinagre procure o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) para que essa situação seja revista”, destacou Madureira, que criticou a administração anterior por não ter elaborado projeto solicitando à Imesp a realização do evento.

O parlamentar Arildo de Lima Jr. (PP) também defendeu a união de esforços para garantir a manutenção da bienal. “Temos que fazer tudo o que for possível para incentivar a leitura no País”, argumentou.

O vereador João Parreira (PSDB) adotou o mesmo discurso dos colegas. “A bienal é um evento cultural que nós não podemos perder e eu acho que é preciso uma mobilização para garantir a sua continuidade”, declarou.

O parlamentar Primo Mangialardo (PSB) afirmou que as alegações da Imesp não justificam o cancelamento do evento. “Bauru é um centro cultural com nomes de expressão no cenário nacional. Por isso, espero que essa decisão não seja definitiva”, comentou.

O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB) lamentou a notícia. “A bienal é um momento oportuno para que as pessoas conheçam os lançamentos literários. Eu, por exemplo, participei das duas versões anteriores como consumidor”, recordou.

Durante o debate, os vereadores Faria Neto (PDT) e Marcelo Borges (PSDB) destacaram que o governo municipal e o deputado Pedro Tobias (PSDB) estão se mobilizando para evitar que o evento seja realmente cancelado.

Ronaldo Schiavone

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