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Solidariedade constitucional


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É consabido que o ser humano é capaz de atitudes bestiais e humilhantes, que não raras vezes causam espanto, ojeriza e revolta em outros seres humanos.

Não menos verdade é, também, o fato de que o ser humano é capaz de gestos gratuitos de imensa solidariedade, unindo povos dos mais diversos tipos e credos em torno de um único ideal: ajudar ao próximo.

Nossa própria Constituição Federal, em seu artigo 3.º, prega, às escâncaras, que um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é justamente a solidariedade social, finalidade essa que foi inequivocamente atingida em nossa cidade no último dia 29, a partir das 15h.

Nesse horário, teve início incêndio de grandes proporções em um dos estabelecimentos comerciais mais conhecidos de nossa urbe, situação que se tornou ainda mais dramática na exata medida em que não havia água suficiente para estancar, a contento, o fogo que consumia tudo a sua volta.

Exatamente num momento como esse, e sem qualquer comando geral, a sociedade se juntou (a redundância gramatical aqui se faz necessária), de maneira exemplarmente solidária, e resolveu algo que parecia incontornável: (1) os bombeiros trabalharam incansavelmente e com a qualidade de costume, não obstante os parcos recursos de que dispunham; (2) a Polícia Militar isolou rapidamente as proximidades da área incendiada; (3) os funcionários do estabelecimento, em comovente cordão humano, evitaram que, naquele tumulto, os produtos fossem saqueados, mostrando que é possível a convivência harmoniosa e respeitosa entre patrões e empregados; (4) várias outras empresas, inclusive aquelas teoricamente “concorrentes” da que fora impiedosamente atingida pelas chamas, colocaram à disposição seus reservatórios aqüíferos para solucionar o problema; (5) os cidadãos que por ali passavam ou se encontravam, dentro de suas limitações, também prestaram auxílio e se mostraram deveras apreensivos em relação ao desfecho do lamentável episódio; e, (6) a imprensa, sempre presente, que manteve, sem sensacionalismo, o resto da comuna informada sobre o desenlace do referido evento danoso.

Enfim, todos unidos ao derredor de um único ideal: ajudar ao próximo! Maravilhoso!

Mesmo de episódios ruins como o ora em comento, é possível se extrair algo de bom e bonito...Isso mostra, sem sombra de dúvidas, que há esperança para a melhora do mundo e essa esperança chama-se “ser humano”... Tão criticado e desacreditado, mas capaz de condutas inexplicavelmente belas e inatacáveis!

Nossa comunidade nunca esteve tão próxima dos anseios constitucionais... Quem dera seja sempre assim! Parabéns povo de Bauru!

O autor, Cláudio José Amaral Bahia, é advogado e professor da Faculdade de Direito de Bauru - ITE

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