Economia & Negócios

Contratação na indústria cai após 8 meses de crescimento

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Após oito meses consecutivos de aumento nas contratações de trabalhadores, a diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru registrou ligeira queda, de -0,75%, no nível de emprego em fevereiro. Segundo o diretor regional da entidade, Ricardo Coube, o índice não é preocupante e não indica uma tendência.

A regional do Ciesp é composta por 17 municípios. De acordo com a pesquisa mensal do nível de mão-de-obra industrial feita no Estado todo, na região de Bauru o resultado de fevereiro foi influenciado pelas variações negativas dos setores de editorial e gráfica e material elétrico, eletrônico e de comunicações. Nos últimos 12 meses, o índice acumulado é positivo em 7,28% na diretoria regional.

Segundo a pesquisa, em fevereiro do ano passado o nível de emprego industrial foi positivo em 0,53%. O que mudou neste ano e determinou o cenário de queda está diretamente ligado à valorização do real e ao aumento da penetração de produtos chineses no Brasil.

“Este ano tem uma diferença significativa com relação ao ano passado. Nesse período (de 2004), o setor de editorial e gráfica tinha uma carteira enorme de exportações e exportou muito nessa entressafra de cadernos. Neste ano, não. Acabou a safra do mercado interno e, como a China está muito competitiva e ganhando cada vez mais espaço, ocorreu essa queda no setor (em fevereiro). O mesmo aconteceu com os outros exportadores”, esclarece Coube.

De acordo com ele, os empresários de Bauru que trabalham com exportação estão prevendo queda das vendas externas. “Isso é sinônimo de concorrência chinesa nas duas áreas apontadas pela pesquisa, que são muito importantes na nossa região”, complementa o empresário.

Confirmando a avaliação feita pelo diretor regional do Ciesp, ontem foi informado à imprensa que 14 associações de exportadores se reúnem hoje para divulgar um manifesto contra a queda do dólar. Exportadores de calçados, produtos têxteis, máquinas, carnes processadas, móveis e outras mercadorias prepararam uma carta pedindo ao governo que tome providências para conter a queda do dólar, que já acumula desvalorização de aproximadamente 10% em um ano.

Apesar das exportações brasileiras estarem crescendo no cômputo geral, o empresariado argumenta que o câmbio baixo vem afetando as vendas de vários produtos.

“No caso do cenário regional, o tímido resultado negativo de fevereiro é insignificante quando analisamos a tendência. O que tinha que acontecer, já aconteceu. E se fizermos uma analogia com o Estado inteiro, o resultado da maioria das regionais ou foi negativo, ou positivo com uma oscilação mínima. Ou seja, não é nenhum motivo de preocupação para nós”, observa.

Coube assinala, ainda, que é interessante destacar a variação positiva de 0,36% registrada em fevereiro no Estado de São Paulo. O índice representa 6.948 vagas ocupadas ante 6.657 postos de trabalho registrados no mesmo mês do ano anterior.

“É importante ressaltar essa performance porque, mesmo num mês teoricamente difícil, houve variação positiva. Na minha visão, isso simboliza a consistência da força da economia mesmo com todas as adversidades que estamos enfrentando com o câmbio e juros altos. Ou seja, a atividade econômica continua forte”, ressalta.

A pesquisa mensal de mão-de-obra do Ciesp mostra também que, na diretoria regional de Jaú (que engloba 11 municípios), o índice de emprego também foi negativo, em -0,69%.

Já nas regionais de Botucatu (41 cidades) e Marília (31 municípios), as variações em fevereiro foram positivas em 0,62% e 0,83%, respectivamente.

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