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Saúde orienta sobre 'doença do peixe cru'

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Os fiscais da Vigilância Sanitária municipal começaram, ontem, a fazer orientações de prevenção aos restaurantes de Bauru e à população sobre o manuseio e preparo de peixes, especialmente se for destinado ao consumo ainda cru (comum em casas de comida oriental). A ação foi necessária em função do surto de infecção causado por um parasita - conhecido como a “tênia” do peixe - registrado em São Paulo.

De acordo com a diretora da Divisão de Vigilância Sanitária Municipal (órgão do Departamento de Saúde Coletiva), Ana Paula Nardo Silva, não há motivo para alarde e as medidas de prevenção são bastante simples, bem como o tratamento da doença. Desde março de 2004, foram registrados em São Paulo 28 casos. Em Bauru, nenhum até ontem.

“A difilobotríase é uma doença intestinal de longa duração. O parasita pode viver no organismo humano (intestino) por mais de dez anos sem se manifestar. Mas para evitar a contaminação, basta tomar alguns cuidados simples, como consumir peixes e mariscos em locais idôneos, comprar somente em estabelecimentos com alvará sanitário e tomar cuidados no preparo, se for fazer o prato em casa”, observa.

Em um comunicado do Centro de Vigilância Sanitária (CVS) e Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), da Secretaria de Estado da Saúde, divulgado ontem, há uma série de informações sobre as formas de prevenção à doença. A cartilha de orientação pode ser consultada no site www.cve.saude. sp.gov.br.

Segundo Nardo Silva, para evitar a contaminação os peixes devem passar por um processo de cozimento a 60 graus por pelo menos dez minutos, ou serem congelados antes do consumo à temperatura de 35 graus negativos durante 15 horas, ou a 23 graus negativos por sete dias. A indústria de eletrodomésticos aponta que os freezers domésticos (geladeira com duas portas) podem chegar a uma temperatura de até 18 graus negativos.

“Não é possível visualizar a larva no peixe. Então, é preciso tomar todos esses cuidados para evitar a contaminação. Quando a parasitose se manifesta, os principais sintomas são diarréia, dor abdominal, flatulência e, às vezes, vômito. Geralmente, a doença é diagnosticada por meio de exame de fezes”, diz Silva.

Segundo o Ministério da Agricultura, o principal suspeito de ser o transmissor da doença é o salmão importado do Chile. Anteontem, as autoridades chilenas foram notificadas sobre o problema e terão de passar informações ao Brasil.

Maria Lúcia Pasquarelli, proprietária de uma peixaria em Bauru, diz que não estava sabendo do surto na Capital paulista. Em contrapartida, não se preocupa com eventuais problemas em seu estabelecimento, já que comercializa somente peixes congelados.

“Eu não vendo peixe fresco. Todos são congelados com nitrogênio, que desce a uma temperatura de menos 80 graus. A maioria dos meus fregueses compra para fazer peixe cozido, e não comer cru. Mas mesmo assim, vou ajudar a orientá-los”, comenta.

Wagner Sugayama, dono de um restaurante que comercializa comida japonesa e chinesa, até ontem não havia recebido a visita da Vigilância Sanitária. Ele também diz estar tranqüilo em relação ao caso.

“As orientações sobre a forma de cozimento e congelamento dos peixes são uma rotina para nós. O problema será para quem não abre mão de comer sashimi (peixe cru) com o peixe fresco, sem ser congelado antes. Geralmente, os japoneses consomem o peixe fresco”, adverte.

De acordo com o médico infectologista Marcelo Pesce, o tratamento para a doença é bastante simples. “O tratamento consiste em tomar, em dose única, o medicamento praziquantel, comum em casos de verminose. Se houver anemia, será preciso repor a vitamina B12”, orienta.

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