Tribuna do Leitor

Protesto e repúdio ao processo seletivo do Hospital Estadual de Bauru


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Venho por meio deste espaço manisfestar meu protesto e repúdio quanto ao processo seletivo do Hospital Estadual de Bauru, ocorrido através da Famesp de Botucatu.

Os que acompanharam a própria publicação da notícia de um processo seletivo que data do dia 14 de fevereiro, no Jornal da Cidade, observaram que os critérios adotados pela Famesp - Botucatu já foram alvos de críticas pelo senhor César Ferreira da Silva - presidente do Fórum de Discussões de Bauru - ao apontar que o edital ignorava o princípio da legalidade administrativa ao impor como condição de aprovação experiência comprovada e entrevista. Essas críticas estão protocoladas diante do Ministério Público, solicitando o cancelamento de edital e do processo seletivo.

Pois bem, prestei um destes processos seletivos e fui muito bem na prova escrita, obtendo uma das maiores notas. Entretanto, diante do resultado final deste processo seletivo, deparei-me com uma nota no mínimo suspeita após a entrevista. O que esta entrevista avaliava? Qual seu propósito, seu objetivo? As pessoas que a realizaram estavam preparadas para tal ou já tinham “indicados” de antemão? Como se explica o fato de que dentre os dez primeiros colocados na prova escrita apenas um obteve a nota máxima na entrevista?

Sinceramente, não pude me conter, pois a injustiça cometida diante destes fatos é notória. Fiz questão de analisar atentamente as notas atribuídas diante da prova escrita e diante da entrevista e constatei que as disparidades são infinitas.

E mais: por que a entrevista possui um peso maior que a análise curricular?

Novamente me deparo com suspeitas, injustiças e algo que aponta para aquele velho jogo que tanto nos é familiar quando se trata de concursos públicos: o jogo das “cartas marcadas”. Isso é um absurdo.

A pessoa escolhida para a função foi simplesmente a que obteve a décima quinta colocação na prova escrita, como explicar isso?

De que valem anos de prática, de dedicação, cursos, atualização profissional, estudos, preocupação com a postura ética se o próprio processo seletivo demonstrou ser antiético? Se o senhor César já havia levantado essa “lebre” antes mesmo do edital sair, é sinal de que algo não vai bem, algo não está certo. De que adianta a prova escrita ter um peso maior que os demais itens se, no final, o que conta é a “avaliação subjetiva” (e bota subjetiva nisso!) da entrevista?

Sinceramente, isso é vergonhoso, principalmente por se tratar de um processo seletivo de caráter público e que teoricamente “seleciona” profissionais para lidar com aquilo que há de mais precioso, vidas humanas... E mais ainda por se tratar de uma instituição tão decadente e cheia de problemas e crises como os hospitais brasileiros.

Portanto, deixo aqui o meu protesto e espero que ele não seja em vão, pois pude acompanhar através do JC outras manifestações criticando os processos seletivos da Famesp. Como diz o dito popular: “Onde há fumaça, há fogo”.

Espero que o Ministério Público tome a posição cabível neste caso e que a justiça seja feita! Afinal, ficamos indignados e impotentes diante destas coisas, e se ficarmos quietos, esses esquemas, esse “jeitinho brasileiro”, “a lei de Gerson”, sempre vai imperar e o Brasil continuará sendo o país da impunidade, o país das desigualdades e das injustiças!

Márcia Cardia Wilson - RG 23.308.432-1

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