A escassez de funcionários extrapolou as paredes das escolas e chegou ao domínio público nesta semana por meio de um cartaz afixado na entrada da creche do Centro de Atenção Integral à Criança (Caic), situado na Vila Nova Esperança. No anúncio estava expressa a orientação para as mães buscarem 33 as crianças matriculadas no berçário, mini 1 e mini 2 uma hora mais cedo, por causa da falta de servidores.
As crianças com faixa etária entre quatro meses e 2 anos e 11 meses eram dispensadas no máximo às 17h até terça-feira. No dia seguinte, o horário limite estabelecido pela diretora passou para 16h. “Nós temos de deixar o prédio limpo para os próprios filhos deles. Não é justo que os funcionários façam hora extra. Eles ficam até depois (do horário de trabalho) para limpar (as dependências da escola) As mães pegam às 16h30. A gente sabe que muitas delas não trabalham”, explica a diretora Terezinha Lúcia Furquim Gusmão.
Sem consulta
Segundo ela, do ano passado para cá, a entidade perdeu seis funcionários. No entanto, de acordo com a Secretaria Municipal da Educação, durante o mesmo período, cinco professores e um substituto foram alocados para trabalhar no Caic.
A titular da pasta, Ana Maria Daibem, ressalta que a afixação do cartaz foi uma iniciativa individual da diretora, que não consultou a supervisora de educação nem a diretora do departamento.
Por causa do embate, Gusmão voltou atrás na decisão e decidiu “sacrificar” as funcionárias. A medida foi recebida com alento por uma mãe que procurou o JC para se queixar da situação, mas pediu anonimato.
A reclamante estava preocupada porque teria de sair mais cedo do trabalho para pegar dois filhos dela. Porém, segundo a diretora da creche, apenas duas mães a procuraram para comentar sobre o problema e, nestes casos, a escola se prontificou a ficar com as crianças até mais tarde.