Politicando

Foi de avião...


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O jornalista Reali Júnior, de O Estado de São Paulo, encontra-se com o governador Ademar depois do golpe de 1964, quando o presidente Castelo Branco já estava tramando sua derrubada do governo paulista, cassação e exportação para a Europa.

- Governador, como vão as coisas?

- Mal, muito mal, meu caro. Esse Castelo! Esse Castelo!

- Mas o senhor ajudou a fazer a fazer Revolução?

- Ajudei, não! Decidi. Você acha que eles teriam entrado se eu, o Magalhães Pinto e o Lacerda não tivéssemos botado a polícia nas ruas? Estavam em cima do muro, esperando nós sairmos. Aí, ficaram todos corajosos.

- O que o senhor acha da revolução? Não é para publicar não, governador. Eu queria saber sua opinião.

- Então vem cá. Bem perto, que eles podem estar tentando gravar coisas contra mim. Ouve bem. Foi o maior conto do vigário em que entrei na minha vida!

Quinze dias depois foi cassado, tendo recebido a notícia pelo general Amauri Kruel, comandante do II Exército, e no Palácio do Governo Paulista a confusão foi geral. Ninguém sabia o que o derrubado governador ia fazer. Ademar convocou uma reunião do secretariado, chamou os amigos mais próximos e todos se encaminharam para o salão de despachos. Corria um frio suor coletivo. Na cabeceira da mesa, calado, olhar duro, Ademar esperou que todos se sentassem. Olhou para um lado, para o outro, conferiu um por um:

- Agradeço comovido a solidariedade de vocês. Sabem que o Castelo me cassou. Vocês são meus amigos e conto com vocês. Quero que me respondam com toda a franqueza. Da resposta de vocês talvez dependa o destino que será dado à minha vida. De que é que eu devo ir embora? De avião ou de navio?

Foi de avião...

Contada por Antonio Pedroso Júnior

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