Bairros

Foco de dengue, Cardia tem 10 casos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A dengue voltou. Em 2004, Bauru não registrou nenhum caso da doença, mas neste ano, com as sete confirmações feitas ontem pelo Instituto Adolfo Lutz, todas na Vila Cardia, já são 11 pessoas infectadas - uma no Jardim Carolina. A forma clássica leva o paciente a um quadro de febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos e dor nas costas, mas a hemorrágica, ainda não diagnosticada na cidade, pode levar à morte.

Dos onze casos de dengue, oito são autóctones, ou seja, os pacientes foram picados pelo mosquito Aedes aegypti doente em Bauru. Os outros três casos são importados - contraídos em outra localidade -, informa a Secretaria Municipal de Saúde, através da assessoria de imprensa da prefeitura.

O foco de dengue, de acordo com a assessoria de imprensa, está na Vila Cardia. Por isso, os órgãos de Saúde ainda não tratam a série de casos como epidemia. “O primeiro caso importado deste ano foi registrado na Vila Cardia. Acreditamos que mosquitos sadios picaram a pessoa doente, contaminando-se. A partir daí, picaram outras pessoas, que desenvolveram a doença”, supõe Flávio Tadeu Salvador coordenador do Programa Municipal de Controle da Dengue.

Para combater a doença, que em 1999 chegou a quase 300 casos em Bauru, Salvador conta que estão em atuação duas frentes de trabalho na Vila Cardia: a busca ativa de criadouros do mosquito, feitos por agentes de saúde municipais, e a nebulização dos quintais, para matar os insetos já adultos, realizada pela Superintendência de Controle de Endemias (Sucen).

Moradora do bairro, Kelly Lacerda Batista conta que as equipes da saúde passaram por sua casa, mas não acharam vasos e demais recipientes que acumulam água, que são os criadouros do Aedes. “Eles orientaram sobre como evitar a proliferação do mosquito e nebulizaram o quintal. Estamos mais atentos”, frisa.

Apesar de não ter nenhum vaso que acumule água em casa, Otília Rosa da Silva Ribeiro, outra moradora da Vila Cardia, admite que havia relaxado a preocupação com a dengue. “Agora, depois que passaram por aqui explicando, a gente fica mais atento. Uma vizinha minha teve dengue há uns dois anos. Mas acho que o problema são terrenos baldios, como um que tem aqui perto de casa”, comenta.

Salvador ressalta, porém, que todos os casos de dengue registrados na Vila Cardia estão localizados em um setor pequeno do bairro, já próximo à rodovia Marechal Rondon. “Para destruir criadouros, fizemos busca ativa inclusive no Cemitério da Saudade, mas encontramos poucos criadouros”, relata.

Os trabalhos de combate à dengue prosseguem hoje na Vila Cardia. Segundo Salvador, no ano passado, a ocorrência de dengue em todo Estado foi muito baixa - em Bauru foram registrados dois casos importados. “Já neste ano, a doença está expandindo-se em vários municípios”, diz.

A constatação da dengue é feita através de exame de sangue do paciente que está apresentado os sintomas da doença. Ontem, além dos sete casos positivos, o Instituto Adolfo Lutz informou à Secretaria de Saúde que dois exames deram negativos. Mais 14 pessoas sob suspeita estão sendo avaliados.

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Forma hemorrágica

O risco da ocorrência de dengue hemorrágica, a forma que pode levar o paciente à morte, independe do número de casos registrados na cidade, de acordo com Flávio Tadeu Salvador, coordenador do Programa Municipal de Controle da Dengue. “É a resposta imunológica da pessoa que contraiu a doença, que não pode ser descartada de forma alguma”, alerta.

Em anos anteriores, a forma hemorrágica causou mortes nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Salvador explica que existem duas teorias para o desenvolvimento da forma hemorrágica da dengue: na reincidência da doença e uma reação do organismo diferente ao vírus. “Há, ainda, manifestações hemorrágicas que não chegam a ser consideradas dengue hemorrágica. Mas a maior probabilidade disso ocorrer é com pessoas que já tiveram dengue”, esclarece.

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