Se as instituições de ensino superior são os grandes centros de produção de conhecimento, cultura e discussão, muitas delas ainda podem orgulhar-se de possuir verdadeiros tesouros de memória da história, letras, literatura e legislação - bastante adequados para comemorar hoje o Dia Nacional da Biblioteca. É o caso da Universidade do Sagrado Coração (USC) e da Instituição Toledo de Ensino (ITE), que preservam grandes acervos de obras raras em Bauru, algumas com mais de três séculos.
Além do acervo aberto de sua biblioteca, a USC mantém uma grande e variada coleção de livros em um prédio auxiliar da instituição, climatizado e com estrutura ideal para sua conservação. As obras não estão disponíveis para consulta ou mesmo visualização, mas a reitora da universidade, irmã Jacinta Turolo Garcia, revela o projeto da organização de uma biblioteca de obras raras.
“Esse é um projeto nosso. Assim que acabarmos a construção do novo prédio, veremos a possibilidade de ampliar a biblioteca para ter um acervo só de obras raras. Não será um acervo no qual se pode mexer muito, pelo estado de conservação em que muitas obras se encontram”, diz.
A maior parte dos exemplares do acervo da USC foi doada por seminários, antigas bibliotecas de congregações religiosas ou colecionadores. A maior doação veio do Conjunto de Pesquisa Filosófica do Rio de Janeiro, onde a reitora completou seu doutorado. Ela conta que após o falecimento do padre Stanislavs Ladusans, que foi seu orientador, a diretoria do instituto lhe comunicou a intenção de doar as obras. Depois de uma visita ao acervo, todos os exemplares foram transportados para Bauru.
“Muitos livros ainda precisam de um tratamento grande, porque estão em estado bem deteriorado, enquanto outros estão quase perfeitos. Alguns estão na reitoria porque já estão sendo usados em pesquisas. Mas estamos pensando também em agregar as obras do século passado. Temos livros de 1920, 1930, da época da fundação da Fafil (Faculdade de Filosofia de Bauru), que ainda estão no acervo comum da biblioteca, mas logo se tornarão obras raras também”, destaca irmã Jacinta.
Leis e história
O acervo de obras raras, antigas e esgotadas da Biblioteca Rui Barbosa, da ITE, vem sendo organizado há cerca de 50 anos, desde a fundação da instituição. No entanto, os títulos foram retirados do acervo comum e organizados em uma seção especial há apenas alguns anos. De acordo com a bibliotecária responsável pelo acervo, Márcia Perez Viana, são cerca de três mil volumes, a maioria de obras jurídicas.
Uma das exceções é o volume mais antigo do acervo, um livro de história publicado em Lisboa, Portugal, em 1777. “Há livros de todos os tipos. Entre os que tratam de direito, há alguns do século 18 com legislação da Itália e da França, obras originais da época”, comenta Márcia.
Atualmente o acervo de obras raras, antigas e esgotadas pode ser consultado apenas por pesquisadores, até mesmo para evitar a deterioração dos exemplares. É necessário o uso de luvas e máscaras para evitar a contaminação do espaço. “Também não permitimos fazer fotocópia das páginas, para evitar qualquer prejuízo ou dano aos originais”, esclarece a bibliotecária.
Ela observa que a biblioteca da ITE está dando início a um projeto de restauração para recuperar as obras mais danificadas. “Mas ainda estamos estudando como isso vai ser feito, pois é um processo delicado e que envolve químicos, biólogos e outros profissionais. Precisamos ter muita confiança para entregar os livros nas mãos de uma pessoa”, finaliza.