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O curioso 'mundo' do pátio

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Tradicionalmente conhecido como o local para onde vão os carros cujos donos cometeram determinadas infrações de trânsito, o pátio em Bauru também é cercado por fatos curiosos. É comum encontrar lá, por exemplo, veículos que participaram de ocorrências policiais famosas na cidade e região, como os do assalto de quase R$ 3 milhões no aeroclube local e o do falso médico de Itapuí, ou que foram abandonados há anos por seus proprietários.

Quem conhece na “ponta da língua” as histórias do pátio bauruense é Mário Martins, um dos proprietários do estabelecimento em que trabalha desde 1986. Ele estima que, entre carros e motocicletas, o local abriga atualmente cerca de 2 mil veículos “desembarcados” pelos mais variados motivos. “Não são apenas os multados que vêm para cá, pois aqui chega tudo que é bucha”, brinca Martins. E acrescenta: “A gente recebe veículos de todos os tipos, como os envolvidos em algum crime ou acidente. Tem bicicletas e até carroças.”

Entretanto, Martins afirma que a maioria do “estoque” é formado por veículos “largados” por seus donos devido ao alto custo para retirada do pátio. “Cerca de 60% deles são muito usados e os proprietários não têm condições econômicas para regularizar a situação. Assim, não é difícil encontrar carros que estão aqui há muito tempo e já viraram sucata”, frisa o administrador.

Como prova disso, ele caminha com a reportagem do JC pelas dependências do pátio e aponta para um Puma e uma Caravan. “São dois dos mais antigos. O primeiro está há cerca de 12 anos e o segundo há uns oito”, revela Martins. Mas também não faltam automóveis novos, como uma Ford EcoSport com “cara” de zero quilômetro. “Quem a utilizava (mostrando o carro) era o falso médico”, conta.

Já os guincheiros também têm suas histórias para contar. Responsáveis pelo transporte dos veículos apreendidos ou autuados até o pátio, nem sempre são recepcionados amistosamente pelos donos dos carros. “Muitos ficam nervosos e fazem de tudo para a gente não levá-los. Teve um rapaz no Jardim Panorama que trancou o automóvel e não queria deixar de jeito nenhum. Esse foi o mais chato, pois consegui guinchá-lo depois que o amigo do cara levou a chave”, recorda o operador de guincho Paulo Sérgio da Silva. “Há até quem nos siga até o pátio tentando evitar o inevitável”, complementa.

Há cinco anos na atividade, ele conta que, apesar da insistência dos motoristas, não há o que fazer quando o veículo está na iminência de ser guinchado. “Tem gente que inventa mil desculpas, falando que só estava dando uma voltinha ou que ia levar a mulher grávida no hospital, para a gente liberar. Também não adianta colocar tranca ou alarme que, de um jeito ou outro, arrumamos uma forma de efetuar o serviço”, garante Silva.

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