Bairros

As sete pragas de Bauru

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Abrigo, alimento e acesso. Esses são os três requisitos básicos para o avanço das pragas urbanas em Bauru. A cidade, como o resto do País, sofre com a proliferação de vetores de doenças, como a leishmaniose e a dengue, e luta para se livrar da infestação de moluscos e aracnídeos. Um levantamento feito pelo JC nos Bairros junto a órgãos públicos aponta quais são as sete pragas de Bauru.

São elas: mosquito-palha, aedes aegypti, caramujo, barata, escorpião, rato e formiga. De acordo com o médico veterinário Mário Ramos de Paula e Silva, diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a maioria dessas pragas têm origem no acúmulo de lixo e entulho. “As condições favoráveis para o avanço desses problemas são classificadas como os três ‘as’: alimento, acesso e abrigo. Se a cidade oferece isso aos insetos e pequenos animais, eles vão se proliferar mesmo”, destaca.

A questão é tão preocupante que a cidade já registra sete casos de leishmaniose este ano (número computado até quarta-feira). A doença, que é transmitida pelo mosquito-palha, pode ser fatal.

Entre o final do ano passado e o início deste ano, a prefeitura realizou uma campanha denominada “Dia C de Combate ao Caramujo”, com o intuito de amenizar a infestação do molusco na cidade.

Há ainda as fiscalizações nas residências e estabelecimentos de forma geral para combater os criadouros do mosquito da dengue, o aedes aegypti.

No entanto, há aquelas pragas que são freqüentes e que, por conta disso, não são combatidas por meio de mutirões, campanhas ou qualquer outra maneira de ataque planejado.

Barata, escorpião, rato e formiga, por exemplo, geram constantes reclamações ao DSC e são tão transmissores de doenças como outros insetos e pequenos animais.

De onde vêm?

Que as pragas se proliferam graças ao acúmulo de lixo, entulho, água parada e mato alto, não é novidade. Mas, o que trouxe esses bichos para tão perto do homem?

A professora de ecologia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Maria Estela Silveira Paschoal, explica que a urbanização provocou desequilíbrios no meio ambiente, o que levou esses insetos e animais a buscarem abrigo no meio urbano. “Essas condições, aliadas à alta capacidade reprodutiva e à falta de inimigos naturais no ambiente urbano, resultam em crescimento exagerado dessas populações”, frisa.

Ela ressalta que a grande quantidade de indivíduos dessas espécies, quando se acumulam, acabam extrapolando os seus limites e incomodando muito mais o homem. “Acredita-se que, para cada barata avista, há 50 escondidas no abrigo”, lembra Paschoal.

No caso do caramujo africano, a mão do homem foi fundamental na infestação. Paschoal explica que a Achatina fulica (nome científico do caramujo-gigante-africano) foi introduzida no Brasil na década de 80. “O objetivo era comercial: criar e vender o caramujo para consumo na culinária”, destaca.

Ela lembra que a empreitada acabou não dando certo e os criadores soltaram os moluscos no meio ambiente, sem qualquer tipo de cuidado com o seu controle. “Ele se adaptou bem por aqui. Além disso, não possui nem pragas nem predadores, que ficaram na África, seu continente de origem.”

Hoje, essa espécie está distribuída em 23 Estados brasileiros, ameaçando as espécies nativas, provocando perdas na agricultura e, pior, causando perigo para a saúde pública.

Esse molusco pode transmitir verminoses no caso de serem ingeridos ou de contaminarem verduras e legumes com o seu muco.

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