Abrigo, alimento e acesso. Esses são os três requisitos básicos para o avanço das pragas urbanas em Bauru. A cidade, como o resto do País, sofre com a proliferação de vetores de doenças, como a leishmaniose e a dengue, e luta para se livrar da infestação de moluscos e aracnídeos. Um levantamento feito pelo JC nos Bairros junto a órgãos públicos aponta quais são as sete pragas de Bauru.
São elas: mosquito-palha, aedes aegypti, caramujo, barata, escorpião, rato e formiga. De acordo com o médico veterinário Mário Ramos de Paula e Silva, diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a maioria dessas pragas têm origem no acúmulo de lixo e entulho. “As condições favoráveis para o avanço desses problemas são classificadas como os três ‘as’: alimento, acesso e abrigo. Se a cidade oferece isso aos insetos e pequenos animais, eles vão se proliferar mesmoâ€, destaca.
A questão é tão preocupante que a cidade já registra sete casos de leishmaniose este ano (número computado até quarta-feira). A doença, que é transmitida pelo mosquito-palha, pode ser fatal.
Entre o final do ano passado e o início deste ano, a prefeitura realizou uma campanha denominada “Dia C de Combate ao Caramujoâ€, com o intuito de amenizar a infestação do molusco na cidade.
Há ainda as fiscalizações nas residências e estabelecimentos de forma geral para combater os criadouros do mosquito da dengue, o aedes aegypti.
No entanto, há aquelas pragas que são freqüentes e que, por conta disso, não são combatidas por meio de mutirões, campanhas ou qualquer outra maneira de ataque planejado.
Barata, escorpião, rato e formiga, por exemplo, geram constantes reclamações ao DSC e são tão transmissores de doenças como outros insetos e pequenos animais.
De onde vêm?
Que as pragas se proliferam graças ao acúmulo de lixo, entulho, água parada e mato alto, não é novidade. Mas, o que trouxe esses bichos para tão perto do homem?
A professora de ecologia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Maria Estela Silveira Paschoal, explica que a urbanização provocou desequilíbrios no meio ambiente, o que levou esses insetos e animais a buscarem abrigo no meio urbano. “Essas condições, aliadas à alta capacidade reprodutiva e à falta de inimigos naturais no ambiente urbano, resultam em crescimento exagerado dessas populaçõesâ€, frisa.
Ela ressalta que a grande quantidade de indivíduos dessas espécies, quando se acumulam, acabam extrapolando os seus limites e incomodando muito mais o homem. “Acredita-se que, para cada barata avista, há 50 escondidas no abrigoâ€, lembra Paschoal.
No caso do caramujo africano, a mão do homem foi fundamental na infestação. Paschoal explica que a Achatina fulica (nome científico do caramujo-gigante-africano) foi introduzida no Brasil na década de 80. “O objetivo era comercial: criar e vender o caramujo para consumo na culináriaâ€, destaca.
Ela lembra que a empreitada acabou não dando certo e os criadores soltaram os moluscos no meio ambiente, sem qualquer tipo de cuidado com o seu controle. “Ele se adaptou bem por aqui. Além disso, não possui nem pragas nem predadores, que ficaram na África, seu continente de origem.â€
Hoje, essa espécie está distribuída em 23 Estados brasileiros, ameaçando as espécies nativas, provocando perdas na agricultura e, pior, causando perigo para a saúde pública.
Esse molusco pode transmitir verminoses no caso de serem ingeridos ou de contaminarem verduras e legumes com o seu muco.