Do ano retrasado para cá, Bauru passou a ser atacada por uma nova praga. Trata-se da Achatina fulica, ou caramujo-gigante-africano, uma espécie que, como o próprio nome diz, é originária de outro continente.
Os moluscos foram introduzidos no País na década passada, por pessoas que visavam obter lucro comercializando a espécie para a culinária. O negócio acabou não vingando e os caramujos foram soltos no meio ambiente.
Sem predador natural e facilmente adaptável ao meio, o molusco procriou rápido e passou a incomodar a população, ameaçando a saúde pública.
No ano passado e no começo deste ano, a prefeitura desenvolveu uma campanha para conter a praga, o “Dia C de Combate ao Caramujo”. Em vários bairros foram recolhidos cerca de 320 quilos do molusco para serem exterminados.
De acordo com a professora de ecologia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Maria Estela Silveira Paschoal, os caramujos provocam perdas na agricultura, ameaçam as espécies nativas e podem transmitir verminoses ao homem. “Hoje, o caramujo está presente em 23 Estados brasileiros”, frisa.
De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Bauru, Mário Ramos de Paula e Silva, as reclamações que chegam ao órgão estão diminuindo gradativamente, mas isso está atribuído também à diminuição do período de chuvas, que é quando os moluscos aparecem. “Foram 30 reclamações em janeiro, 24 em fevereiro e seis em março”, conta.