Bairros

Eliminação completa é contra-indicada

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

“Devemos fazer o possível para manter esses animais o mais distante possível do homem e evitar proporcionar situações que estimulem o crescimento dessas populações.” É assim que a professora de ecologia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Maria Estela Silveira Paschoal, descreve a melhor maneira de lidar com as pragas urbanas.

Segundo ela, mesmo que fosse possível, a eliminação completa desses insetos e pequenos animais seria contra-indicada, já que eles fazem parte de uma cadeia que controla o meio ambiente.

“Conseqüências mais drásticas podem ocorrer. Por exemplo, os escorpiões se alimentam de baratas e ajudam a promover o controle dessa população”, salienta.

De acordo com a professora, o que o homem pode fazer para ficar livre dos problemas acarretados pela invasão dessas espécies no meio urbano é evitar situações que estimulem a proliferação dessas pragas.

Ela cita como exemplo que devem ser adotadas medidas de conservação e recuperação de áreas com vegetação nativa, para que os animais mantenham-se no ambiente silvestre e não procurem a cidade. “Também devem ser tomadas todas as medidas de higiene da casa e dos ambientes urbanos”, destaca.

Para o diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Bauru, Mário Ramos de Paula e Silva, se os devidos cuidados fossem tomados com relação à limpeza e asseio da cidade, a infestação de pragas diminuiria em 90%. “Quanto mais lixo houver pela cidade, mais haverá proliferação das pragas. As pessoas têm de se conscientizar disso”, afirma.

De outro lado, também deve haver uma contrapartida do poder público visando orientar e controlar a população no que diz respeito à higienização e medidas profiláticas.

Para Paschoal, as medidas que existem atualmente nem sempre são suficientes para atenuar o problema dos insetos e pequenos animais. “Educação da população, associada a medidas de recuperação e conservação da vida silvestre, além de um planejamento e gestão urbanos podem manter as pragas atuais sob controle e evitar o aparecimento de novas infestações”, ressalta.

Pragas insistentes

Além das pragas da “moda”, como o caramujo, o mosquito-palha e o aedes aegypti, a população, convive com bichos que têm uma longa história na companhia do ser humano. Entre eles estão as baratas, os ratos e as formigas. “As baratas convivem com o homem há muito tempo e, em função disso, adaptaram-se ao ambiente urbano tão bem como o ser humano”, salienta Paschoal.

Os ratos dizimaram quase metade de alguns países europeus na idade média, transmitindo a peste bubônica.

Hoje ainda são responsáveis pela transmissão de doenças como a leptospirose e a hantavirose, males gravíssimos e que podem ser fatais para o ser humano.

De acordo com o DSC, neste ano já foram averiguadas 44 reclamações da população com relação aos ratos, sendo 26 somente em fevereiro. “Não existe uma determinada época mais favorável aos ratos. Eles convivem com o homem o ano todo”, frisa Silva.

Enquanto ratos, baratas e escorpiões atacam mais os bairros periféricos, as formigas espalham-se pelos quatro cantos da cidade. Elas não escolhem classe social e povoam desde casebres até apartamentos em andares altos e residências de luxo.

Minúsculas e incansáveis, elas “visitam” o lixo em busca de alimento e, depois, “passeiam pela cozinha ou outros locais da casa, levando consigo bactérias e doenças. “O tipo de solo de Bauru favorece o aparecimento de formigas”, destaca o secretário municipal do Meio Ambiente, Carlos Alexandre Menezes Barbieri.

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