Professor de história e apaixonado pela ferrovia, tive uma oportunidade de ouro para viver a minha paixão através do projeto Ferrovia Para Todos da prefeitura Municipal de Bauru e do Curso e Colégio Fênix: fiz com meus alunos das segundas séries do Ensino Médio, no último dia 2 de abril, um belo passeio com a locomotiva à vapor 278, apelidada carinhosamente pelos funcionários do Museu Ferroviário de “Maria”.
Foi uma experiência inesquecível poder partilhar com eles um pouco da nossa rica história ferroviária começando por uma monitoria reveladora e bem humorada realizada por funcionários da prefeitura municipal e por voluntários, onde tivemos contato com o nosso raro acervo das três ferrovias iniciais: a Sorocabana, a Paulista e a Noroeste do Brasil.
Logo após, embarcamos em um vagão de madeira de passageiros de segunda classe, o S22, e o famoso A0 ou A1, feito especialmente para o presidente Getúlio Vargas, em 1934, com madeiras raras e nobres, nas oficinas da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, a MOB, restaurados pelo poder municipal em parceria com a iniciativa privada e puxados pela famosa “Maria, a fumaça”, que segundo o foguista tem condições de correr a 90 km por hora.
Os alunos eram pura alegria: cantavam, berravam e estavam felizes pelo primeiro contato com a ferrovia em pleno século XXI com equipamentos do começo do século XX. A esmagadora maioria deles nunca havia andado de trem e se emocionaram pela experiência encantadora.
Fizemos um trajeto pequeno – da grandiosa Estação Central até a Estação da Paulista. Ao chegarmos na estação da Paulista, tivemos uma monitoria sobre os segredos da nossa querida senhora “Maria, a fumaça”: sua velocidade, idade, geração de energia elétrica, freios, lenha necessária para a movimentação e uma rápida gincana onde uma aluna da 2 série A ganhou um prego de dormente pela resposta correta.
Os condutores da “Maria” querem transformar essa pequena gincana e seu valioso prêmio em um ritual do passeio para estreitar os laços de todos com esse patrimônio histórico que quase se perdeu e agora renasce com força e visibilidade.
Tive a felicidade de, após o passeio, mostrar para eles algumas locomotivas elétricas salvas do sucateamento e que devem ser restauradas, bem como a beleza da Gare de embarque da Estação Central feita pela primeira vez no interior do Brasil em concreto armado e não mais de madeira.
Nessa empreitada histórico-cultural tive a companhia e o apoio do professor Alexandre, de literatura, que também se emocionou e juntos desenvolveremos um projeto escolar sobre a cidade, os cidadãos e a família.
Esse passeio periódico da “Maria, a fumaça” já é um sucesso e os ingressos se esgotam em poucas horas após o anúncio da aventura pelas rádios e jornal da cidade.
Tenho a informação de que pessoas de outras cidades já estão interessados nesse tour ferroviário e que muitas delas já pernoitaram em hotéis de Bauru para poderem conseguir os ingressos e se admirarem da beleza do trem de passageiros em funcionamento.
Educando os nossos jovens para o conhecimento do passado da sua cidade e do insuperável patrimônio ferroviário e arquitetônico, teremos, no futuro empresários, políticos, professores, religiosos, donas de casa, pais de família e cidadãos interessados em investir tempo e recursos na recuperação dessa riqueza o que nos tem feito falta nos dias de hoje. (Fábio Paride Pallotta - RG 3.984.508)