Tribuna do Leitor

A luta solitária de um bauruense


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Há mais de quatro anos começou a luta do senhor Sebastião Paiva para salvar o Hospital Psiquiátrico de Bauru. Uma luta inglória, uma vez que não encontrou o apoio necessário dos governos municipal, estadual e federal. Durante meio século Bauru e região tiveram naquele hospital um instrumento de resolução para os portadores de doenças mentais.

É lamentável o que estamos assistindo hoje - o abandono e a solidão de um abnegado que não poupou nada para manter aquela Casa de Saúde Mental em funcionamento, vendeu bens imóveis, abriu mão de uma vida confortável, deixou de ostentar valores materiais para simplesmente cuidar de seres humanos considerados por muitos como estorvo. A verdade é que de uns tempos para cá surgiu uma casta de “benfeitores” com o discurso de colaborar, só que mais atrapalharam do que ajudaram, ao ponto de fazer ruir a simples, mas resistente estrutura criada pelo senhor Sebastião Paiva, ao ponto de chegarmos a uma situação em que nem mesmo com a ajuda de voluntários foi possível manter funcionando o hospital. Indignada com a situação do Centro de Reabilitação em Saúde Mental “Sebastião Paiva”, não hesitei e, quando da vinda do governador Geraldo Alckmin a nossa cidade, eu e mais um grupo de funcionários conseguimos falar com ele sobre a terrível situação em que se encontra o “Paiva”, e qual não foi a nossa surpresa ao percebermos que o governador não tinha nenhum conhecimento do real estado de abandono do hospital. E, pior, as pessoas que intervieram na nossa conversa (Pedro Tobias e prefeito Tuga Angerami) também demonstraram desconhecimento sobre a situação daquela unidade hospitalar que ao longo desses anos supriu a lacuna deixada pelo Estado.

O que causou revolta, principalmente em mim, foi quando o governador perguntou sobre a verba encaminhada pelo governo estadual ao hospital, pois ninguém soube explicar o real motivo da diretoria recusar a verba (R$ 250.000,00). Nessa rápida conversa ficou patente o desinteresse de nossos representantes em encontrar meios de solucionar o problema que está afligindo não só os familiares dos pacientes do hospital como seus funcionários. Finalizando, gostaria de deixar duas sugestões: primeira, por que não solicitar o auxílio do Sindicato dos Contabilistas objetivando uma auditoria (já que virou moda) para dar um diagnóstico de como poderá o hospital continuar funcionando sem ficar no vermelho; segunda, por que não realizar uma campanha com o slogan “Sou amigo do Paiva” com a finalidade de convocar a sociedade bauruense e da região a vir colaborar com doações permanentes, e assim manter vivo o sonho de um homem que vive, exclusivamente, para cuidar de pessoas que a maioria de nós não contabilizamos como seres humanos. (Ivanilda Barbosa da Silva Rosa - RG 23.027.536-9)

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