O funeral do papa João Paulo II, realizado sexta-feira na Praça São Pedro, Vaticano, foi marcado pela aclamação de milhares de pessoas que pediam a canonização imediata de Karol Wojtyla, o pontífice morto. Isso porque são fortes os boatos sobre supostos milagres feitos por ele em vida. O jornalista avareense Marcello Zanluchi, integrante da equipe de redação da Rádio Vaticano em 2004, conta que nos bastidores da rádio comentava-se sobre seis milagres atribuídos a ele.
“Nós ouvíamos muitas conversas entre os funcionários, só que era tudo muito velado”, conta Zanluchi, que permaneceu no Vaticano entre os meses de junho e agosto do ano passado. De acordo com ele, os boatos indicavam que a maioria dos milagres envolvia curas de problemas de saúde.
A eventual beatificação de João Paulo II é uma decisão exclusiva do próximo papa, que deverá ser eleito após o dia 18 deste mês, segundo informações do porta-voz do Vaticano, Joaquim Navarro Valls. O processo de canonização e beatificação pode começar cinco anos depois da morte da pessoa em questão e tem como precedente a demonstração de pelo menos um milagre intercedido pelo candidato. Porém, o processo pode ser antecipado por decisão do papa.
No período que passou na Rádio Vaticano, Zanluchi descobriu algumas peculiaridades de João Paulo II. Entre elas, a preferência por mamão-papaya em seu café da manhã.
Porém, uma das experiências mais marcantes foi o encontro que o jornalista teve com o pontífice. “Conheci-o no dia 11 de agosto do ano passado. Ele estava muito fragilizado, em uma cadeira de rodas, mas estava lúcido e conversou comigo em português”, diz.
Tido como um verdadeiro presente para Zanluchi, o encontro com João Paulo II reforçou ainda mais sua devoção e amor ao papa, a quem ele considera santo. “Minha mãe casou-se em 1979 e não conseguia engravidar. Ela acompanhava o papa pela televisão e acendia uma vela com o pedido. Eu nasci em 1981. Considero isso um milagre.