Mesmo que a agitação cultural nas instituições de ensino superior se estabeleça como uma realidade do passado, algumas iniciativas ainda apontam para a produção de cultura, discussão e conhecimento nos prédios e câmpus de Bauru. É o caso do cineclube da Universidade Estadual Paulista (Unesp), retomado no ano passado por um grupo de estudantes.
De acordo com Cláudio Rodrigues Coração, aluno do curso de jornalismo e um dos coordenadores do cineclube, o projeto ressurgiu no ano passado com o apoio do Departamento de Ciências Humanas, após anos de inatividade. “A idéia não é só passar um filme a esmo. No semestre passado, escolhemos filmes significativos de determinadas épocas e de determinadas nacionalidades. Nesse semestre, os filmes têm a temática da violência - não gratuita e física, mas sim psicológica, mais indireta. E, depois da exibição, sempre há um debate sobre o tema”, explica.
Ele lamenta que a reitoria da Unesp cortou parte da verba que o grupo recebia para a divulgação dos eventos. “Pensávamos em trazer cineastas e profissionais de fora para os debates, mas fomos prejudicados. Acabamos convidando alguém da Unesp mesmo”, diz. As sessões, abertas à comunidade, são realizadas todas as quintas-feiras, às 16h, na Central de Salas de Aula.
Outra ação cultural promovida na Unesp é o Perspectiva, projeto de extensão da Faculdade de Engenharia existente há 11 anos e que realiza apresentações culturais todas as quartas-feiras no câmpus. Segundo a estudante Eliane Aparecida de Almeida Barros, que é uma das organizadoras das atividades, o projeto está sem verba para execução desde o ano passado.
“Mesmo assim, conseguimos prosseguir com ele em 2004. Não queríamos que o Perspectiva ficasse morto porque é uma iniciativa que traz a comunidade para dentro do câmpus, traz pais, colegas e divulga o espaço do câmpus. Ainda conseguimos trazer um pessoal, que se apresentou apenas em favor da arte. Nesse ano, estamos retomando agora”, comenta.
Um projeto que obteve sucesso em sua primeira edição e que segue rumo ao crescimento é o Festival de Música da Universidade do Sagrado Coração (Femusc). O coordenador, Dimas Tadeu Losnak Araújo, 42 anos, radialista e estudante de publicidade na instituição, afirma que a proposta é ampliar o evento e agregar todas as faculdades para a edição deste ano, que deve ocorrer novamente em novembro.
“Pensamos em fazer aberto a todas as universidades e também ao ensino médio, com mais dias de festival. Ele surgiu justamente dessa situação que vemos, de estar todo mundo parado. Começamos a planejar e, em parceria com a USC, conseguimos viabilizá-lo”, relata Araújo.
Na opinião do radialista, Bauru perdeu muito em sua vida cultural, especialmente universitária, nos últimos anos. “Eu venho de uma outra geração que viu festivais e iniciativas que colocavam o estudante em atividade. Hoje, tem muita balada mas pouco engajamento, nenhuma proposta concreta”, conclui.