O diretor do Departamento de Saúde Indígena da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Alexandre Padilha, explica que o objetivo da Semana de Vacinação das Américas é conduzir ações que colaborem para a diminuição da mortalidade infantil nos países parceiros.
“Conseguimos reduzir a mortalidade sensivelmente em 2004, mas ainda não estamos satisfeitos”, afirma. Segundo ele, a cada 1.000 crianças nascidas nas aldeias, 47 morrem antes de completar um ano de vida.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem atualmente 210 povos indígenas, que somam quase 440 mil índios. Eles estão espalhados em 24 Estados de todas as regiões do País e falam 170 idiomas diferentes.
Ao todo, são 3.627 aldeias, divididas em 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis). Os distritos são divisões das áreas indígenas para a atenção à saúde.
A Semana de Vacinação das Américas deste ano vai contemplar as populações das aldeias, independentemente delas residirem ou não em áreas de fronteiras.
Os Dseis onde a vacinação será intensificada são: Alto Purus e Alto Juruá (AC); Altamira (PA); Yanomami (RO); Alto Rio Negro , Alto Rio Solimões, Manaus, Médio Rio Purus e Vale do Rio Javari (AM); Cuiabá e Parque Indígena do Xingu (MT); Tocantins (TO); Mato Grosso do Sul (MS); Litoral Sul (SP); Interior Sul (RS); Bahia (BA); Pernambuco (PE); Minas Gerais e Espírito Santo (MG).
A campanha voltada às comunidades indígenas também conta com a participação do personagem Zé Gotinha, criado nos anos 80 para facilitar a adesão das crianças às ações de vacinação no País. O mascote deve visitar todas as 677 aldeias do projeto.
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Vítimas da aids
Além das doenças que podem ser prevenidas com vacinas, outra preocupação da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) é a contaminação dos índios pelo vírus HIV, causador da aids.
De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Alexandre Padilha, 101 casos de aids já foram notificados em aldeias brasileiras e a falta de informação é a maior dificuldade para impedir a propagação da doença.
“O convívio com as comunidades que cercam as aldeias, a presença constante de garimpeiros e o trabalho em fazendas expõem os índios a esse risco”, explica, por meio da Agência Saúde.
Para tentar minimizar a disseminação da doença, a Funasa iniciou um trabalho educacional que é elaborado com apoio dos próprios índios. O projeto já existe em 23 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis).
“Estamos utilizando um antropólogo, um profissional em saúde indígena e especialistas em doenças sexualmente transmissíveis na coordenação do trabalho”, destaca Padilha.
Atualmente, a Funasa dispõe de 9,8 mil pessoas atuando especificamente em projetos voltados às reservas indígenas, incluindo assistentes sociais, índios e profissionais de saúde.