Onze famílias ligadas ao setor empresarial de Bauru estão na fila para receberem a mais nova arma anti-seqüestro disponível no mercado. Ao custo de US$ 10 mil a unidade (cerca de R$ 27 mil), o equipamento é um microchip do tamanho de um grão de arroz que será hospedado na pele através de uma pistola de pressão. Monitorado via satélite, o hospedeiro é localizado em qualquer lugar do mundo.
Além de Bauru, a empresa fornecedora do serviço, sediada em São Paulo, já tem encomendas de empresários e seus familiares residentes nas cidades da região, dentre as quais Marília, Lins, São Manuel, Botucatu e Avaré. Juntas, elas representam pedidos de 29 famílias.
Em todo o País, segundo o proprietário da empresa, Ricardo Chilelli, há mais de 2 mil empresários à espera do microchip. Até o momento, apenas 42 famílias paulistas foram privilegiadas com o equipamento. É um seleto grupo formado por banqueiros, empreiteiros, empresários e executivos de multinacionais.
Eles foram beneficiados porque têm ligações comerciais com os Estados Unidos, país onde a instalação do microchip cutâneo já foi liberada pelos órgãos governamentais de saúde. É lá que está também a base de rastreamento. No Brasil, a empresa e seus virtuais clientes aguardam o sinal verde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Chip invasivo
Segundo Chilelli, o chip subcutâneo ainda é experimental. “Não há regulamentação no Brasil porque o chip é invasivo. Está sendo usado no País apenas em animais. A Anvisa ainda estuda a aprovação do chip para arquivar dados médicosâ€, explica.
Ele esclarece que os brasileiros que são hospedeiros do chip receberam o minúsculo equipamento no exterior. “Esse pessoal tem a filial de suas empresas no exterior. Também tem propriedades. Lá fora tem legislação. Aqui no Brasil ainda nãoâ€.
O consultor de segurança pessoal conta que o microchip cutâneo é apenas um componente a mais na gestão de risco. “Em algumas pessoas que passaram pela análise de risco, achamos por bem colocar. Mas não necessariamente por questões de dinheiroâ€, garante.
Chilelli informa que no seu quadro de clientes há líderes religiosos, esportistas radicais (que podem se perder no mato, em florestas e desertos) e até mesmo pessoas com esclerose que freqüentemente se perdem ou fogem de casa.
“Em Marília tenho um caso interessante. Um senhor me ligou e fez o pedido para o pai, já de idade e vítima do Mal de Alzheimer. Usualmente, o pai tira a roupa e vai para a rua. E depois é um problema sério para localizá-loâ€, relata.
Outro segmento que está interessado na mais nova arma anti-sequestro é o esportivo. Nos últimos meses, várias mães de jogadores de futebol foram seqüestradas. “Recebi muitas ligações de jogadores famosos, inclusive da Seleção Brasileira, interessados no microchip. A Federação Paulista de Futebol também me procurouâ€, revela.
Depois de São Paulo e os municípios de seu entorno, Campinas é a cidade que mais tem solicitações do aparelho. São 215 famílias à espera da liberação da Anvisa para poder usar o microchip.