Regional

Mulher é acusada de realizar abortos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Marília - Um inquérito concluído na semana passada pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Marília (100 quilômetros a oeste de Bauru) aponta a dona de casa Doralice dos Santos Medeiros, 61 anos, como responsável por dezenas de abortos e pela formação de um cemitério clandestino de fetos no quintal de sua residência.

De acordo com a titular da DDM, Rossana Rodrigues Rossini Camacho, o crime foi configurado em outubro do ano passado, quando os policiais conseguiram reunir uma série de provas contra a acusada. “A gente já tinha ouvido muito falar sobre ela, mas não tinha como configurar o crime, pois não haviam provas”, ressalta Camacho.

Com um mandado de busca, os policiais encontraram várias ossadas no quintal da residência de Medeiros. A dona de casa chegou a ficar detida por cinco dias quando o crime foi revelado, mas acabou sendo solta para responder o processo em liberdade, pois ainda seria necessário concluir um laudo antropológico, que mostraria se as ossadas encontradas em seu quintal realmente eram de fetos.

Camacho conta que foram ouvidas ainda seis mulheres, duas das quais disseram ter realizado aborto com Doralice recentemente. “Ela realizava esse tipo de crime há aproximadamente 15 anos e calculamos que, nesse período, foram feitos dezenas de abortos”, ressalta.

Métodos caseiros

A delegada da DDM conta que Medeiros ganha a vida vendendo salgados. Sem nenhuma intimidade com a área médica, ela se especializou em realizar abortos através de métodos caseiros e com o uso de medicamentos proibidos, como o Citotec, indicado para úlcera, mas muito usado para a interrupção da gravidez. “Ela realizava manobras abortivas nas gestantes que a procuravam”, explica Camacho.

O procedimento era realizado tanto na casa da acusada quanto em locais solicitados pela gestante. Ao retirar o feto, a mulher tinha o estranho hábito de dar nome a eles, tais como Lucas, Felipe e Gabriel, antes de enterrá-los em seu quintal, conforme relatou à polícia.

Camacho ressalta que a polícia encontrou várias ossadas enterradas nos fundos da residência de Medeiros. “Retiramos um punhado de terra com vários ossos, que não sabíamos se eram de pequenos animais ou de fetos. Mandamos tudo para o Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo, onde foi realizado um laudo antropológico”, conta a titular da DDM.

Por meio de reconstituição do esqueleto, o IC detectou que haviam dois fetos inteiros e vários ossos de outros bebês. A mulher disse à polícia que cobrava entre R$ 150,00 e R$ 200,00 para realizar o procedimento.

O aborto é considerado crime no Brasil. De acordo com a delegada, a gestante que realizá-lo pode pegar até três anos de detenção. Já a pessoa que pratica o crime com o consentimento da grávida pode ser condenada a até quatro anos de prisão.

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Reincidente

Dois meses depois de ser solta, Doralice dos Santos Medeiros teria tentado realizar um novo aborto em sua residência. A delegada Rossana Rodrigues Rossini Camacho conta que a Polícia Militar (PM) de Marília foi acionada após denúncia anônima e encontrou na casa uma mulher prestes a realizar a “operação”.

Apesar disso, Medeiros foi mantida em liberdade. Agora, com a conclusão do inquérito, Camacho voltou a requistar prisão temporária da acusada, com o intuito de evitar que ela prossiga com a atividade.

O processo foi enviado ao Fórum e aguarda uma decisão da Justiça.

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