Polícia

Família condena linchamento

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar do choque de presenciar o atropelamento do filho de 3 anos no Sambódromo, Paulo Eduardo Santos da Silva e Simone Cristina Ferreira da Silva condenam qualquer tentativa de linchamento. Eles lamentam as agressões sofridas domingo por Thieser Juliano Manso Collis, 19 anos, que apanhou de cerca de 30 pessoas depois de colidir o carro com a criança. O menino, Matheus Eduardo Ferreira da Silva, continua internado sem previsão de alta médica.

“Fiquei desesperado. Quando vi o acidente fui para cima dele (do rapaz alvo de agressões) e dei um empurrão. A irmã dele disse que não era por aí e também me empurrou. Caí em mim e fui socorrer meu filho. Saí de lá direto para o hospital. Eu estava com a cabeça quente. Isso não dá o direito de agredir”, diz.

Ele acredita que a população tenha se revoltado com a situação porque a criança ficou muito machucada, desacordada e o motorista estaria numa velocidade acima da estabelecida para o tráfego no local.

“O atropelamento poderia ter sido evitado se o automóvel estivesse transitando a 10 quilômetros por hora, por exemplo. Acho que é essa a velocidade permitida no local”, acrescenta a mãe de Matheus. Em entrevista concedida anteontem ao JC, Thieser alegou não se lembrar da velocidade do veículo.

“Ele parou um pouco mais para frente (porque o carro teria batido num barranco). Acho que teve gente que achou que ele iria fugir. Fiquei muito chateado com tudo o que aconteceu. Estávamos tão preocupados que nem pensamos em procurar a imprensa antes”, explica o pai, driblado pelo filho segundos antes do acidente.

“Ele foi pegar alguma coisa, nem lembro o quê, embaixo do banco. Depois pulou para o banco do motorista e, ao descer, passou por debaixo do meu braço. Na hora olhei à direita (sentido Nações/Geisel), não vinha nenhum carro. Foi quando virei a cabeça do outro lado”, diz Silva.

Segundo ele, Matheus foi atingido na lateral do corpo, deu três voltas no ar e caiu ao solo desesperado. Só teria retomado a consciência no hospital, onde foi internado na unidade de terapia intensiva (UTI).

“Fomos ao Sambródromo porque tinha um evento de motocicleta. Meu filho adora. Quase não temos lugar para ir (em dias de lazer). Será que nem lá dá para ficar?”, questiona.

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