Jaú - O juiz substituto da 2.ª Vara da cidade, Paulo de Tarso da Silva Pinto, não aceitou o pedido de prisão preventiva contra sete acusados de roubos a estabelecimentos comerciais em Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru). A decisão desagradou os delegados de dois Distritos Policiais (DPs) do município que trabalham na investigação de dez roubos que teriam sido praticados pelo grupo. Em depoimento ao delegado Wanderley Vendramini, os acusados teriam confessado participação no crime. Mesmo assim, todos tiveram de ser liberados e continuam soltos.
Silva Pinto negou o mandado de prisão com a justificativa, segundo Vendramini, de que faltavam provas convincentes para deter os acusados. Em dois assaltos, o gerente de um supermercado e o dono de uma farmácia foram baleados, porém sem muita gravidade. A arma, que supostamente foi usada pelos assaltantes, foi apreendida na residência de Denilson Fernando Bueno, 23 anos, um dos acusados.
Os outros suspeitos são Fábio Antônio Pereira Soares, 24 anos; Bruno Eric dos Santos Conceição, 20 anos; Elton Luiz Pereira, 20 anos; Luiz Adalberto Pereira, 18 anos; Emerson Pereira Martins, 27 anos; e M.S.C, 17 anos. Todos moradores de Jaú.
Anteontem, enquanto ouvia os acusados, o delegado Vendramini conseguiu esclareceu seis roubos realizados neste ano na área do 1º DP. O primeiro ocorreu no dia 25 de fevereiro em um açougue no Jardim Itamarati. Na ocasião, foram levados R$ 5 mil em dinheiro e R$ 1,4 mil em cheques.
No dia 19 de março, eles assaltaram a proprietária de um supermercado no Jardim Santa Helena. A vítima perdeu a bolsa, mas não tinha dinheiro dentro. Cinco dias mais tarde, o grupo assaltou um supermercado, de onde levaram R$ 15 mil entre cheques e dinheiro. O gerente do estabelecimento foi atingido na mão por um tiro. O disparo teria sido feito por Conceição, que alegou ao delegado ter ficado nervoso, por isso atirou.
No dia 26 de março, o local escolhido foi uma drogaria na Vila Sampaio. Além do prejuízo de R$ 250,00 em dinheiro, o dono do estabelecimento ficou ferido ao receber um tiro no braço. De novo, Conceição teria sido o autor do disparo.
Neste mês, foram registrados mais dois roubos com a participação do grupo. Um no dia 5, em um posto de combustível no Jardim Santa Helena, foi roubado R$ 150,00. O outro foi no dia 7, em um depósito de gás na Vila Sampaio, com prejuízo foi de R$ 250,00.
Investigação
Na área do 2.º DP, outros quatro assaltos foram atribuídos ao grupo. Um deles, realizado no sábado passado, em um posto de combustível no Jardim Santo Onofre, foi esclarecido, segundo o delegado Edson Maldonado. Os demais ainda estão em fase de investigação. Hoje, frentistas de dois postos assaltados nos dias 8 de fevereiro e 17 de abril são esperados na delegacia para fazer o reconhecimento dos acusados.
Além da arma, foram apreendidos ainda um capacete preto e uma moto, supostamente utilizados nos roubos, e um automóvel Marajó verde, usado no primeiro assalto.
Frustrado com a decisão do juiz substituto da 2.ª Vara, que não aceitou o pedido de prisão preventiva, o delegado Vendramini disse que só irá repetir o pedido quando concluir o inquérito. Enquanto isso, o grupo continua na rua. “Cada um tem a sua responsabilidade. Nosso trabalho foi feito. Sem falsa modéstia, muito bem feito”, declarou ele, eximindo-se da responsabilidade dos acusados permanecerem em liberdade.