Política

Psicologia política passa por mudanças

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

A participação da psicologia no entendimento das questões políticas e sociais vem sofrendo modificações ao longo dos últimos anos, deixando de estudar apenas fenômenos do passado para acompanhá-los em tempo real. A opinião é da venezuelana Maritza Montero, que está em Bauru para participar de um simpósio nacional promovido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Durante um certo tempo, a psicologia política estava caminhando atrás das mudanças ocorridas no continente, mas agora está acompanhando esses processos. Isso significa que ela está se ocupando mais dos problemas da população e das minorias e maiorias oprimidas, procurando interpretar e compreender o que está ocorrendo”, destaca.

Montero, que é presidente da Sociedade Internacional de Psicologia Política e atua na Universidade Central da Venezuela, acredita que o populismo tecnológico é um exemplo dessa alteração que está em trânsito. “Ele tem o mesmo conteúdo do que era praticado no século XX, mas utiliza a Internet e os diálogos on-line. Com isso, estamos entendendo os fatos de maneira mais rápida. Já não é mais história, e sim o momento”, avalia.

O professor Celso Zonta, coordenador do simpósio, lembra que a psicologia política não se limita a estudar apenas os aspectos político-partidários. “Ela engloba qualquer fenômeno que o indivíduo desenvolva na sociedade”, relata.

Nesse campo, de acordo com ele, estão inseridos os movimentos e a violência sociais, as minorias e os preconceitos. “Essa psicologia está preocupada com todos esses problemas. Nós trabalhamos desenvolvendo pesquisas para a produção de elaborações teóricas e estratégias de intervenção junto à sociedade, tentando organizar discussões que levem à cidadania e à igualdade social”, explica.

Zonta afirma que a política partidária também faz parte do campo de atuação da psicologia. “Isso ocorre com a realização de pesquisas, análise do comportamento eleitoral e da imagem dos candidatos”, enumera.

Nesse sentido, o coordenador acredita que os candidatos irão buscar cada vez mais ajuda da psicologia. “Isso também será verificado nas diversas áreas da ciência. A população, no entanto, está adquirindo consciência crítica da realidade e os políticos precisam entender esse comportamento, para que se coloquem de maneira verdadeira perante o eleitor”, diz.

O 3º Simpósio Brasileiro de Psicologia Aplicada foi aberto ontem e prossegue até sábado. Além de Montero e Zonta, também participam o presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia Política, Salvador Sandoval, a mexicana Graciela Mota e a uruguaia Carolina Moll, entre outros convidados.

• Serviço

Outras informações a respeito do simpósio podem ser obtidas pelo telefone (14) 3103-6087 ou pelo site www.fc.unesp. br/sbpp.

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