Tribuna do Leitor

Rodeio: critério e bom senso


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O que falta às ONGs protetora dos animais é critério e bom senso. O proselitismo feito no Dia Nacional de Repúdio ao rodeio no pátio da cantina da Unesp foi equivocado, e apenas se limitava à apresentação de um vídeo com imagens de rodeios dos EUA, logicamente apenas mostrando o que lhes interessava, ou seja, como se durante uma corrida de cavalos, esporte centenário no Brasil, apenas se mostrasse os acidentes, ou então numa corrida de Fórmula 1, batidas e mortes.

Alegam ilegalidade, maus-tratos aos animais. Na verdade não sabem perder e nem reconhecem a derrota. As ONGs participaram de todas as discussões em várias audiências públicas que foram realizadas no Congresso Nacional, durante a tramitação do projeto de lei que culminou na aprovação da Lei Federal nº 10.519, promulgada em 17/07/02, que Normatizou o rodeio no Brasil, dando sentido a outra Lei de nº 10.220 promulgada em 11/04/01 reconhecendo a atividade de peão, como atleta profissional.

Portanto, ilegalidade nenhuma. Se tivessem alguma razão e conseguissem provar suas teses, as leis não teriam sido aprovadas. Esquecem as ativistas das ONGs que a Unesp, conceituada Universidade Paulista, elaborou uma pesquisa de campo com animais de rodeio no câmpus de Jaboticabal durante meses, que resultou num laudo técnico-científico sobre a utilização de sédem em bovinos de rodeio, assinado por quatro renomados médicos veterinários.

Este trabalho encontra-se à disposição de quem quiser no Departamento de Veterinária da Unesp e seria muito bom que as pessoas procurassem se informar, conhecer sobre o assunto para então dar sua opinião, não sair por aí falando bobagem.

Quanto aos maus-tratos, esquecem que os animais de rodeio são privilegiados, não são castrados (o normal é serem castrados para engorda e abate), são longevos (normalmente, um boi é abatido com quatro anos e os de rodeio duram até 15 anos), são pesados, fortes, musculosos e bem cuidados.

Quanto aos saltos, possuem índole de saltadores, não são todos os touros ou cavalos ou éguas que saltam. É preciso avaliar esta aptidão do animal. Alegam os desinformados que os touros e cavalos saltam porque o sédem aperta os testículos e a genitália dos mesmos.

Como explicar, então, que as éguas, em grande número nos rodeios, saltam se elas não possuem testículos? O sédem é um acessório que, colocado numa região sensível nos flancos inguinais, estimula os saltos, comparado nos humanos à cintura, uma região sensível, que se tocada faze cócegas.

Enfim, não é compreensível que um tropeiro (proprietário de cavalos) e boiadeiro ( proprietário de touros) de rodeio, na medida em que utilizam seus animais como meio de ganhar seu sustento, e fazem desta uma atividade profissional, possam maltratar seus animais. Só mesmo pessoas mal informadas podem passar uma idéia equivocada sobre uma atividade que, na verdade, nada conhecem.

Bem, quanto ao gosto, não se discute. Assim como tem pessoas que não gostam de rodeio, também tem aquelas que não gostam de futebol, corrida de carros e etc. Mas entre não gostar e combater e criticar, há uma grande distância. Então, por favor, antes de falar qualquer coisa sobre uma atividade que não conhecem, procurem se interar do assunto com profundidade para então defender sua causa.

Carlos Eduardo S. Padilha - Pecuarista e Diretor da Confederação Nacional do Rodeio - RG: 7.996.385

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