Tribuna do Leitor

Valores familiares


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Outro dia, fui à casa de uma amiga sem avisar. Sabia que ela fazia parte de um grupo de casais da igreja que freqüenta, mas fiquei impressionada com o que vi quando cheguei lá: cinco casais conversando sobre Deus e suas famílias, dividindo suas angústias e alegria do viver a dois, criar filhos... Confesso que fiquei com inveja (no bom sentido!).

No mundo de hoje, onde as pessoas em geral dão muito mais valor ao ter do que ao ser, é reconfortante encontrar grupos de amigos, casais que se reúnem uma vez por mês para trocar experiências.

E as crianças acabam entrando na roda. Os casais - todos - estavam lá com seus filhos e filhas - o mais novo com 4 e o mais velho com 12 anos. Num outro canto, as meninas papeavam, os mais novos brincavam de futebol. Na oração final, todos estavam lá, de mãos dadas, pedindo por suas famílias e amigos.

Escrevo para contar esta experiência porque sei que outros casais fazem a mesma coisa pela cidade inteira, por diversas paróquias. Minha mãe diz que é uma gota no oceano. Não importa. O que vale é que cada um faça a sua parte no sentido de buscar um mundo melhor.

O que essas pessoas fazem, na verdade, é dar aos filhos valores praticamente mortos na sociedade: marido e mulher precisam se amar e se respeitar, andar juntos, decidir juntos; irmãos e irmãs, salvo as briguinhas normais, precisam se respeitar e se gostar; amigos precisam se reunir mais, fazer da amizade uma coisa real.

Com certeza, essas crianças serão adultos comprometidos com o amor ao próximo, com o respeito ao indivíduo. E garanto que a sociedade já vê frutos disso. Quer um exemplo?

Esta semana, levava meu filho à escola. Numa das ruas que cortam a avenida Duque de Caxias dei de cara com um rapaz carregando um carrinho lotado de coisas. De traz, não se via quem empurrava. Na minha pressa, tentei ultrapassar e vi quatro pernas. Quando o carrinho deu passagem, pude ver que um rapaz de mais ou menos 18 anos, mochila de livros nas costas, ajudava o carregador a puxar o enorme e pesado carrinho. Esta cena tocou meu coração, sem dúvida. Não é todo dia que a gente vê a solidariedade tão presente.

Maria das Graças Jorge

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