Pacientes do Centro de Tratamento e Reabilitação em Saúde Mental Sebastião Paiva, que em um mês e meio fechará as portas, já começaram a ser transferidos. Na semana passada, 14 deles foram encaminhados ao Hospital Clemente Ferreira, em Lins. O futuro dos outros ainda depende de avaliação da Direção Regional de Saúde (Dir-10), que dá seqüência ao processo de entrevista com os internos.
O primeiro grupo saiu de Bauru em condições de viver em lar abrigado, ou seja, em moradia sob a tutela do hospital. São pacientes capazes de adotar cuidados próprios e de administrar o próprio recurso, informa a diretora técnica do Paiva, Cibele Mendonça.
“Não é o que os funcionários, a diretoria administrativa e técnica do hospital e funcionários imaginavam que fosse acontecer. Foi uma decisão de cima, da Associação Beneficente Cristã”, diz.
A deliberação da administração do único hospital psiquiátrico da cidade de transferir e fechar o serviço veio a reboque do déficit mensal de cerca de R$ 40 mil. O encerramento de quatro décadas de atendimento foi anunciado no início do mês passado. Na ocasião, o Centro de Tratamento e Reabilitação em Saúde Mental mantinha 250 pacientes internados, dos quais 197 em tratamento contínuo.
Além do futuro deles, também ficou incerto o destino profissional de 200 funcionários do hospital, que se mobilizaram para implementar em Bauru uma nova política de saúde mental. A proposta deles prevê a transformação das instalações do hospital psiquiátrico em novo centro de atenção psicossocial (CAP) com atendimento 24 horas.
Os trabalhadores ainda defendem, assim como o movimento antimanicomial, a oferta de equipes mínimas de atendimento especializado na rede pública municipal, centros de atenção psicossocial, prontos-socorros com equipe de emergência psiquiátrica e leitos em hospitais gerais.
O assunto foi discutido em audiência pública na Câmara Municipal no final do mês passado. Na ocasião, a Secretaria Municipal de Saúde e o governo do Estado decidiram assumir o atendimento dos pacientes. Cerca de 34 deles serão destinados para orientação em residência terapêutica, onde serão monitorados por profissionais.
No entanto, a medida ainda depende de um convênio a ser assinado, informa a assessoria de imprensa da administração municipal. Até lá, o governo do Estado também terá analisado a possibilidade de transferir outros 28 pacientes em estágio agudo para uma enfermaria psiquiátrica a ser criada no Hospital Manoel de Abreu.
A alternativa ainda está sob análise, informa a assessoria de imprensa do governo do Estado. “Eles (município e Estado) têm de assumir o que foi acordado. Nós vamos acompanhar e cobrar”, conclui a coordenadora do Conselho Municipal de Saúde, Vera Porto.