Saúde

Procedimentos são reversíveis

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A moda hoje é ter olhar fatal e, para isso, sobrancelhas mais grossas e expressivas. Mas um dia, na época das divas do cinema, bonito era quase não ter sobrancelhas, deixando apenas uma fina linha sobre os olhos. Depois de décadas arrancando os pêlos, muitas senhoras tiveram de recorrer ao implante para recuperar os fios perdidos e voltar à moda.

O fato é que a moda é cíclica. O que ela sugere hoje pode ser considerado brega amanhã ou em alguns anos. E a dúvida é, depois de uma correção cirúrgica, o que fazer se o visual adquirido cair de moda. Pois o cirurgião-plástico Bashir Mussa Gazi tranqüiliza: boa parte dos procedimentos é reversível.

“Além disso, o padrão de beleza não muda com o tempo. Uma mulher com formas muito retas, uma mama maior que a outra, isso nunca foi bonito. A beleza não cai de moda. O belo sempre foi e será belo, o feio sempre foi e será feio. O que a cirurgia plástica faz é aperfeiçoar a beleza inata das pessoas ou corrigir, amenizar algumas imperfeições”, argumenta.

Outra questão que normalmente se coloca é que o paciente operado vai continuar sofrendo os efeitos do envelhecimento. Será que, com o tempo, a região corrigida não vai ficar muito destoante do resto do corpo?

Segundo Gazi, isso pode acontecer em alguns casos, mas a cirurgia plástica também tem soluções. Ele cita os implantes de silicone como exemplo.

Segundo o médico, as próteses normalmente ficam afixadas sob o músculo do paciente. No caso dos seios, em que há uma forte tendência à flacidez, as próteses, presas, poderiam parecer fora de lugar, o que daria um aspecto muito artificial às mamas. Nesse caso, uma nova cirurgia plástica poderia tanto corrigir a flacidez como alterar ou mesmo retirar o silicone.

Outra técnica muito procurada é o preenchimento de lábios, já que a moda agora são lábios carnudos. Gazi comenta que, normalmente, o material utilizado fica incorporado à pele e acompanha o envelhecimento.

“Além disso, hoje em dia, boa parte dos procedimentos utiliza substâncias absorvíveis. Substâncias que desaparecem depois de alguns meses, como a toxina botulínica, por exemplo. A vantagem é que, se o paciente não gosta, ele sabe que o efeito vai passar. A desvantagem é que, quando ele gosta, ele sabe que vai ter que repetir o procedimento de tempos em tempos”, diz.

O médico salienta que a explosão da cirurgia plástica nas últimas décadas deve-se ao aprimoramento e desenvolvimento tecnológico. “O ser humano sempre buscou a perfeição estética. Se não fazia nada antes era porque não havia o que fazer e hoje há”, reforça.

Ele lembra que tanto os materiais quanto as técnicas aplicadas em medicina só são utilizadas em seres humanos depois de passar por vários e rigorosos testes. “E a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil é extremamente rigorosa, em comparação com outros países. Por isso, as cirurgias são extremamente seguras. Desde que, claro, sejam realizadas por profissionais devidamente habilitados”, acrescenta.

A única ressalva de Gazi é que há produtos mais modernos que ainda não têm estudos prospectivos, ou seja, a medicina ainda não sabe quais serão seus efeitos no organismo a médio e longo prazos. “Mas, via de regra, são todos procedimentos que podem ser revertidos”, afirma.

Além disso, ele pondera que uma cirurgia é uma cirurgia. Sempre há um risco de ocorrer complicações. É uma chance mínima, ocorre quase sempre em menos de 1% dos casos, mas pode acontecer. “O bom profissional alerta seus pacientes sobre isso e está apto a intervir quando isso acontece”, encerra.

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