Tribuna do Leitor

Acelerando para sucesso ou para uma tragedia


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Caros amigos, acompanho o esporte de arrancada há 15 anos, desde as primeiras etapas no cicuito de Interlagos, onde as provas eram realizadas na descida da reta e à noite no antigo traçado, quando não passava de uma campanha de tirar os rachas das ruas e hoje transformar-se em um esporte. Esporte este que já está em todo Brasil, com uma etapa do campeonato Brasileiro em Curitiba, com ótima estrutura, que não perde nada dos EUA, o berço das Dragracer.

As corridas de Dragracer começaram nos EUA no começo dos anos 50, quando jovens que preparavam seus Hot Rods (carros antigos com motores atuais ) para acelerar nas pistas de aviões abandonadas que foram usadas na guerra. Hoje é um dos esportes que mais movimenta dinheiro e público em todos os EUA, perdendo apenas para a Nascar.

Bauru tem tudo para ser o centro da arrancada no Interior de São Paulo. Boa localização, público que gosta do esporte e necessita de um bom divertimento. Mas para isto não podemos fazer um evento deste tamanho no amadorismo, ou melhor, sem o mínimo de estrutura.

Em primeiro lugar, a pista do Sambódromo é um perigo, o asfalto não existe, não há area de escape, principalmente para parar com um carro um pouco mais rápido. Mesmo sendo uma distância curta com um carro chegando a 150 Km/h, no máximo, a área de frenagem é pouca. Em segundo, onde já se viu colocar grades que só servem para separar o puúblico de carros alegoricos para separar carros a 150 km/h. Em terceiro, em toda extensão da pista há postes e nestes foram colocados pneus amarrados, como se isto segurasse um carro acelerando tudo e despejando gás no turbo.

Todos estes detalhes aconteceram na primeira etapa. Fora ainda que no sábado não havia nenhum policial e ambulância e já tinha gente acelerando. No domingo, vimos pessoas atravessando a pista, um número de pessoas enorme na largada, o que fez a prova ser interrompida por um momento, e, o pior, os policiais ficaram de pé dentro da pista para conter invasão de público, correndo risco de serem atropelados por um carro saindo de lado. Isto tudo em uma prova de arrancada é o mais fácil de acontecer, devido a muitos carros despejarem óleo e os pneus muitas vezes não estarem totalmente aquecidos.

Senhores, temos vários exemplos negativos e tragédias neste esporte devido à falta de estrutura e lugar inadeqüado (Ceará, Rio de Janeiro e até São Paulo). Bauru não precisa e não pode entrar nesta estatística, principalmente depois de apresentar na primeira etapa um público de aproximadamente 20.000 pessoas.

Agora, eu pergunto: por que não fazer o evento no novo aeroporto ou no AeroClube da cidade (a exemplo de São José dos Campos)? Seria melhor para todos, público, pilotos, cidade etc. Bem, torço para que o evento seja um sucesso de organização e Bauru logo esteja no calendário nacional do campeonato de arrancada. Um abraço. (João Cesar Colatrello - Rg 24.992.793-7)

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