Familiares e amigos prestaram ontem suas homenagens ao jornalista responsável pelo Jornal da Cidade, Nadyr Serra, que morreu na noite de sábado, aos 84 anos. Todos destacaram seu profissionalismo e amor pelo jornalismo, além da sua marcante atuação em causas sociais. Ele foi enterrado no final da tarde, no Cemitério da Saudade.
Nadyr estava internado há uma semana no Hospital da Unimed e foi vítima de uma pneumonia dupla. Natural de Pirapora (MG), ele se mudou para São Paulo quando ainda era criança e veio para Bauru no início da adolescência. Antes de atuar por mais de 30 anos no JC, o jornalista também trabalhou na Folha do Povo e foi correspondente de A Gazeta Esportiva na cidade.
Ele também era delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado. Mesmo após o advento do computador, jamais abandonou a sua máquina de escrever, utilizada para redigir os artigos que assinava. Fazia questão de freqüentar o JC, apesar das dificuldades que enfrentava nos últimos anos para caminhar.
Durante o velório, a filha Sheyla Vieira falou com orgulho do pai. “Ele era um grande homem, o maior de todos para mim. Também era muito solidário e equilibrado. Desde cedo, o jornalismo foi a sua grande paixão”, comentou.
O filho Paulo Augusto também destacou a atuação profissional de Nadyr. “Ele tinha muito amor pelo jornalismo e o seu idealismo sempre nos marcou”, observou. O jornalista deixa ainda os filhos Alcyr e Sérgio, a esposa Olanda Candovin Serra, 82 anos, e seis netos.
O presidente dos grupos Prata e Cidade, dos quais o JC faz parte, Alcides Franciscato, recebeu com tristeza a notícia da morte de um amigo e companheiro desde os primeiros dias do Jornal da Cidade, que Nadyr ajudou a fundar. “Envio meus sentimentos de pêsames à família do querido e verdadeiro irmão Nadyr, jornalista responsável e pioneiro do JC, uma bandeira do jornalismo sério e autêntico”, afirmou Franciscato.
“A imprensa perde um grande jornalista, e Bauru e o País perdem um grande homem, íntegro, justo e um exemplo de retidão de caráter. Seus artigos, com verdades claras e cristalinas, e seu olhar sincero e generoso sobre o cotidiano, foram uma forte referência para milhares de pessoas que leram seus escritos por anos a fio”, destacou Franciscato.
O diretor administrativo e de marketing do JC, Renato Zaiden, recebeu a notícia da morte de Nadyr em São Paulo. Ele lembrou que o jornalista foi também um pioneiro da imprensa em Bauru. “Além de fazer jornalismo, ele trabalhava em grandes causas que visavam promover a profissão, beneficiando os seus colegas. Também foi um dos fundadores da Associação de Cronistas Esportivos de Bauru (Aceb) e tinha uma atividade social muito grande, coordenando a realização de eventos esportivos e filantrópicos”, declarou.
Para Zaiden, a maneira cordial de tratar as pessoas era outra marca registrada do jornalista. “Em função da sua experiência e facilidade de convivência com os outros, gostava de ouvir e de nos aconselhar. Ele era uma referência de sabedoria de vida e teve a felicidade de ser produtivo até os 84 anos”, acrescentou.
O ex-prefeito Nilson Costa, que trabalhou ao lado de Nadyr Serra no JC, lembrou a parceria de muitos anos dele com o amigo e colega de profissão Jehovah de Oliveira. “Os dois foram companheiros de primeira hora e se consideravam irmãos”, afirmou.
Nilson elogiou a conduta de vida do colega. “O Nadyr foi uma figura exponencial pela sua religiosidade e competência. Ele nos deixa muita saudade”, acrescentou.
Outro antigo companheiro de profissão do jornalista, o editor de esportes do JC, Leonardo de Brito, comentou a convivência com Nadyr. “Ele foi um mestre. Quando eu tinha alguma dúvida referente à língua portuguesa, recorria a ele. Deixando o profissionalismo de lado, era a pessoa mais educada que eu já conheci”, relatou.