Cultura

Cota de filmes nacionais é desrespeitada

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Somente 9% das 1.987 salas de cinema existentes no País demonstraram ter cumprido a “cota de tela” estabelecida pela Agência Nacional do Cinema (Ancine) em 2004. Os dados, divulgados na semana passada pelo órgão, revelam que 41% das salas estão sob averiguação por terem enviado informações incorretas ou preenchido campos errados. Outros 35% não entregaram os relatórios e 15% das salas comprovadamente não conseguiram cumprir a exigência federal.

A cota de tela é a obrigatoriedade de exibição de produções brasileiras em salas de cinema e espaços de exibição pública comercial por determinados períodos durante o ano. O objetivo do decreto, que é renovado anualmente, é assegurar que os longas nacionais tenham espaço garantido nos cinemas.

No ano passado, cada sala precisava dedicar, no mínimo, 63 dias a filmes nacionais. Nesse ano, a cota ficou menos rigorosa, com exigência de, no mínimo, 35 dias para cinemas com uma sala e máximo de 63 dias por sala para complexos de até sete unidades, de acordo com uma tabela de proporcionalidade.

A Ancine informa que, de acordo com a legislação, foram solicitados aos exibidores relatórios dos períodos destinados à cota de tela em cada sala. Nesse ano, 35% de empresas que não encaminharam seus dados receberam notificações para que o façam, a fim de evitar que sejam caracterizadas como empresas que descumpriram o decreto.

Bauru e região

A assessoria de imprensa da Ancine informou à reportagem do JC Cultura que ainda não disponibilizou os dados referentes a cada cinema ou grupo, ou mesmo divididos por cidades e regiões. Até o momento, só estão disponíveis os dados nacionais, sem especificações.

Em matéria publicada pelo Jornal da Cidade no dia 5 de janeiro, o diretor do grupo Cinematográfica Araújo, Marcos Silva de Araújo, que administra os cinemas de Bauru, além de uma sala em Botucatu, três em Marília e duas em Araçatuba, criticou a cota de tela, porém, ressaltou a necessidade de cumprir a determinação da Ancine.

“Alguns filmes têm uma resposta excelente do público, mas os filmes ruins têm bilheteria péssima. Acho que a obrigatoriedade de exibição é um absurdo porque os cinemas não são concessionárias. O governo não pode nos obrigar a ter prejuízo”, observou, na época.

Nos três primeiros meses do ano, as quatros salas de cinema de Bauru exibiram cinco longas nacionais: “Tainá 2”, “Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida”, “Eliana em O Segredo dos Golfinhos”, “Meu Tio Matou um Cara” e “O Casamento de Romeu e Julieta”, ainda em cartaz. Os filmes totalizaram, até hoje, 74 dias em cartaz nas quatro salas, em 102 dias corridos.

Conforme a tabela da Ancine, os dois cinemas locais, com duas salas cada, deverão exibir filmes nacionais em 84 dias do ano. Até a data de hoje, as duas salas do Cine Center e do Cine Bauru exibiram produções brasileiras por 47 dias e 40 dias, respectivamente. Ou seja, em pouco mais de três meses, os cinemas já cumpriram aproximadamente a metade do que é exigido pelo órgão federal. O JC Cultura entrou em contato com a direção da Cinematrográfica Araújo, por telefone e por e-mail, para comentar o cumprimento da cota no ano passado e neste ano, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

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