A presidente municipal do PT em Bauru, Estela Almagro, informou ontem que os filiados acusados de fazer campanha eleitoral para o atual prefeito Tuga Angerami (PDT), durante o primeiro turno da eleição de 2004, serão submetidos à comissão de ética local. O tema é o primeiro item da pauta da reunião extraordinária da Executiva Municipal convocada para o próximo dia 25.
O local e o horário do encontro que vai discutir o episódio pendente desde o ano passado serão sugeridos pelos membros da direção até a próxima sexta-feira. “O diretório estadual do partido decidiu em recurso que os denunciados devem ser encaminhados à comissão de ética ao invés de processo com rito sumário de expulsão”, conta Almagro.
O diretório estadual do partido acolheu recurso dos nove petistas incluídos na denúncia com posicionamento pela expulsão imediata. Mas não houve análise de mérito sobre a ocorrência. “Na reunião vamos discutir quanto à necessidade de convocação de comissão para avaliar o comportamento dos excluídos da legenda em outubro de 2004. O estatuto prevê expulsão sumária para diversas condutas, mas o diretório entendeu que os casos que envolvem ética devem ser enviados a esta comissão”, cita Estela.
Se for aprovado o envio do caso para a comissão permanente, os filiados serão submetidos à denúncia com direito de apresentação de provas e de contestação. A comissão é constituída por cinco membros. A maioria pertence ao grupo comandado por Estela Almagro e o vereador José Carlos Batata (PT). A comissão nomeia presidente, relator e secretário para o andamento do processo.
Um dos filiados incluídos na denúncia de apoio à outra candidatura em 2004, que não a petista, Jesus Garcia, considera que agora o caso retoma seu curso normal. “O recurso para o diretório foi exatamente para levantar que não cabia expulsão por rito sumário, tinha que acionar a comissão de ética se quisesse. O diretório reconheceu esse procedimento e a comissão é o caminho natural”, cita.
Entre os expulsos, além de Garcia, estavam integrantes do movimento sindical ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), como Francisco Wagner Monteiro, Regina Pacheco, Maria Aparecida do Amaral Godoy de Faria, Jorge Antonio Soriano Moura, Agnaldo Anastácio Silva, Adriana Josefa Chaves, Oscar Fernandes Sobrinho e Henrique Perazzi de Aquino.
Para Garcia, a insistência no episódio pode prejudicar novamente a participação da legenda nas próximas eleições. “Estamos trabalhando para preparar o caminho para as eleições. Se for para discutir essa questão de novo nós vamos encaminhar relatório também contra a presidente do partido, por condutas que levantamos. Se vale para nós, vale para todos”, posiciona em forma de contra-ataque.
Outros assuntos
Mas a reunião extraordinária do próximo dia 25 também será utilizada para discutir o calendário eleitoral do partido previsto para setembro deste ano. O Programa de Eleições Diretas (PED) do PT prevê a convocação dos filiados para a formação de chapas e teses para a escolha dos novos comandos municipal, regional, estadual e federal em período único.
“O calendário já está previsto, até a escolha em setembro, mas nós precisamos definir os prazos para inscrições dos interessados em formar chapa e o cronograma dos debates internos”, cita Estela.
O partido do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também vai discutir em Bauru a confraternização regional pelo jubileu de prata, que foi alcançado em 18 de fevereiro deste ano. “Nós vamos trazer os três pré-candidatos ao governo do Estado para um debate como parte da comemoração do jubileu”, diz Estela referindo-se a ex-prefeito de São Paulo, Marta Suplicy, o ex-presidente da Câmara Federal, João Paulo Cunha, e o senador Aloizio Mercadante.